terça-feira, 26 de novembro de 2013

O que eu li: O Livro de Ouro dos Sonhos - Gayle Delaney

        
 Eu sempre tive um grande interesse em interpretação de sonhos. Minha mãe sonha todos os dias com a minha avó que já faleceu há mais de 20 anos. Tem sonhos vívidos, coloridos e cheios de tramas. E tornou-se um hábito entre nós comentar sobre eles no café da manhã. Eu mesma já tive muitos sonhos repetidos e surpreendentes.
               Tive um sonho estranho em que eu visitava um templo sagrado com minha mãe, meses depois tive o mesmo sonho com meu avô. Me lembro claramente da sensação de paz, e encantamento com lugar.
               Tradicionalmente depois de um sonho interessante eu consultava um velho “dicionário dos sonhos” em busca de uma interpretação, sempre torcendo para que aquilo não significasse nada de ruim. Sim, é uma supertição boba, eu sei.
Gayle Delaney criou um método que permite que qualquer pessoa interprete um sonho. Inclusive, permitindo que nós mesmos interpretemos nossos próprios sonhos. Ótimo, maravilhoso? Não. Não é tão simples.
O problema do livro começa que sua escrita é penosa. Só o meu profundo interesse no assunto me levou a conseguir terminá-lo. Ele parece ter sido escrito para algum trabalho acadêmico, tem uma escrita quadrada e sem ritmo.
Mas ainda assim, a pior coisa do livro é a autora. Ela é melhor que Freud, Jung, e qualquer outro psicólogo, intérprete, qualquer outro que na História da humanidade já tenha ousado escrever sobre sonhos. E ela faz questão de nos lembrar disso a cada linha que chama Freud de soberbo, o método de fulano de falho, arrogante. Enfim. Essa atitude dela tornou a leitura difícil porque eu criei antipatia por Gayle. No final do livro, inclusive, ela se gaba de que SEU MÉTODO revolucionou o treinamento de gerentes, administradores, físicos, blá, blá, blá. São longas 20 ou mais páginas apenas com puro marketing pessoal.
Mas isso é já no finalzinho do livro. Pra começar você enfrentará a história dos sonhos desde eras mais antigas. E o ruim é que você está doida para saber como faz, e essa enrolação.  
Quanto ao método, tenho tentado aplicar ainda sem grande sucesso. De fato, a argumentação de todo o seu método de interpretação parte do princípio de que significados “fixos” das imagens dos sonhos não tem cabimento porque cada uma delas expressa algo que varia de indivíduo para indivíduo. Se você é dentista, ou morre de medo de ir a um, está com dor de dentes, sonhar com eles terá um significado diferente.  
Delaney ensina o tal método a conta gotas. Basicamente, você deve prestar atenção às imagens do seu sonho e tentar entender a metáfora que ela traz. Para ajudar ela cria um método de entrevista em que o sonhador tem que fingir que o entrevistado veio de outro planeta, ou seja, mesmo imagens simples e banais devem ser explicadas na sua totalidade.
Exemplo, ele tinha um Fusca. O que é um Fusca? Para que eles servem? Pois independentemente do que signifique um Fusca na nossa realidade, em um sonho ele pode ter um sentido muito mais amplo, e às vezes até contrário.
Funciona assim:

“Eis o sonho de Renata, que passou de imagens aparentemente não sexuais para tema sexual:
‘Eu tirei o esmalte vermelho das unhas dos dedos dos pés e das mãos, e depois coloquei um esmalte branco-perolado. Sorrindo, mostrei minhas mãos e pés a meu marido, esperando satisfação e aprovação.’
Quando teve esse sonho, Renata e seu marido tinham acabado de voltar a viver juntos, após um ano de separação. Após duas perguntas, ela compreendeu seu sonho.
Gayle: Eu venho de outro planeta. Por que mulheres usam esmaltes nas unhas?
Renata: Para ficar sensuais e atrair o sexo oposto.
Gayle: Qual a diferença de usar esmalte vermelho e o branco-perolado?
Renata: O vermelho é uma cor muito sensual e o branco, não. O branco é a cor da pureza e o vermelho, a da paixão. (...) O sonho me mostra renunciando a minha paixão para conquistar a aprovação e amor do meu marido.” (P. 167, 168)

Continuarei tentando achar significado e aplicar as técnicas da autora. Seria interessante entender por que todos os caras do meu sonho são muito mais bonitos do que na realidade? Por que eu sonhei que estava fazendo sexo com o Maradona ao invés do Paul Bettany?  Ou até, como promete a autora, resolver problemas, práticos e emocionais, psicológicos com os sonhos.
Enquanto isso, vou lutando para conseguir me lembrar deles pela manhã. Já é o bastante.


domingo, 24 de novembro de 2013

Paralisada



Eu sei o que quero.
Onde quero ir.
Como quero chegar, mas algo invisível a olho nu está se interpondo a todos os meus sonhos.

O medo. O velho e bobo medo de tomar decisão, fazer escolhas, de viver.
Me entristece não ter escolhas, não estar lá onde eu queria, estar perdendo parte da minha vida.
Mas o medo me paralisa.

O que posso fazer? Qual a solução?
Paralisada