sábado, 30 de março de 2013

O que li: A Cabana


               

Acabei de ler A Cabana. O livro é bonito. E havia momentos, em que eu sinceramente não conseguia acompanhar o desenrolar dos pensamentos dos personagens “divinos”. Quando Papai, Sarayu ou Jesus começavam a explicar coisas sobre a origem do bem, do mal, a não existência de hierarquia entre eles, a conversa sempre chegava a um momento em que o “abstratismo” era complexo demais pra mim. E acho que essa é a proposta do livro, afinal, Deus não deve ter respostas fáceis as nossas perguntas, que também não costumam ser das mais simples. E, a minha falta de religiosidade institucionalizada contribuía para um desconhecimento dos conceitos básicos.

Contudo apesar dessas linhas soltas o livro é muito bom. O único ponto que de fato me incomodou foi quanto à oposição de Deus a nossa busca por independência. Mas isso é algo que descende do meu posicionamento religioso e filosófico. Não cabem muitas discussões.

No entanto, independentemente disso, A Cabana é um livro para se ler com a alma, pois fala de um Deus bem melhor de se acreditar. Um Deus que não nos quer seguindo mandamentos, nos julgando melhor que os outros, apontando os erros. Um Deus bem humorado. Dois outros pontos do livro que eu destaco como encantadores: o primeiro é que eu entendi muito mais a “Santíssima Trindade” dentro do que é apresentado pelo livro, antes sempre vi uma hierarquia entre eles em que Espírito Santo e Deus ficavam disputando o primeiro lugar. Em segundo, é o perdão. “Quando você perdoa alguém, certamente liberta essa pessoa do julgamento, mas, se não houver uma verdadeira mudança, não pode ser estabelecido nenhum relacionamento verdadeiro.” Pra mim esse foi um achado. Nunca fui das pessoas mais religiosas, e talvez por isso perdão sempre tenha se relacionado com o desleixo com a dor do “perdoante”, como se aquele indivíduo tivesse que esquecer o que quer que lhe tenham feito (e às vezes isso num é pouca coisa), e devesse abrir seu melhor sorriso, sua casa, sua vida aquele que perdoou. Mas como diz Papai, é a mudança de atitude que cria um relacionamento, o perdão apenas liberta as partes de um atado de dor, vingança, ressentimentos. 

quarta-feira, 27 de março de 2013

Solitária

Eu sempre afirmei isso com plena convicção, porque é aquilo em que eu realmente acredito.
Existem coisas que estão além do nosso controle, da ação da nossa vontade.
E acho que o Amor, e tudo em que em nome dele se constrói, é uma dessas coisas por excelência. 
Como você decide ser feliz no amor?
Apenas acorda com essa ideia na cabeça e saí em busca disso?
Como assim?
Como saberá se a sorte vai te sorrir trazendo o que lhe é certo, verdadeiro?
As vezes, seja lá pelo que for, eu penso no amanhã, no futuro, mesmo tendo certeza da arrogância e perda de tempo que é nos preocuparmos com algo que está completamente fora do nosso alcance, eu sofro.
Sofro pensando se será meu destino ficar sozinha?
Como vai ser minha vida?
Sem ninguém com quem dividir expectativas, alegrias, tristezas, ninguém com quem contar e nem construir nada?

Alguém que me conheça mais profundamente, alguém que me aqueça nos momentos frios da vida.

Sei que ninguém sabe como será, mas sinto que minhas saídas estão sendo lacradas a cada dia que passa.
Talvez eu tenha sido tola ao rejeitar os planos a dois. Em achar que vencer obstáculos, conquistar independência era mais importante. Mas ao mesmo tempo me sinto em uma armadilha por pensar assim.

terça-feira, 26 de março de 2013

Ana & Grey


Estou no primeiro capítulo de Cinquenta Tons de Liberdade e acho que consegui chegar ao ápice da minha irritação.
Muito antes de ler o tão falado livro percebi duas opiniões conflitantes. A primeira taxavam Grey de ser um novo príncipe encantado, com a diferença de que o príncipe encantado no máximo beijava a princesa e Grey era capaz de provocar orgasmos e experiências enlouquecedoras em sua escolhida.
E de outro lado, muitos criticavam o livro por ser raso, não sustentar uma relação BDSM, e por abusar dos velhos chavões do ricaço que ganha uma garota a deslumbrando com seu dinheiro e poder.
E acho que acabei pendendo para o lado negativo dessas opiniões.
Resumindo: acho o livro mal escrito. Ninguém pode achar que descrever cenas de sexo picante, descrever seu galã como lindo, bilionário, poderoso, controlador, com olhos cinzas e sedutores, e com um humor extremamente vacilante, e sua mocinha como uma eterna patética, colocar toda a sorte de clichê dentro de uma história é escrever um livro.
A repetição, de acontecimentos, frases, situações pode até ser ignorada no primeiro livro, afinal ainda estamos nos acostumando com os personagens e tal, mas no segundo já é insuportável. Há ciclos na história, olhares, sexo, ciúmes, posse, olhares, sexo, blá, blá, blá. E no terceiro, fica ainda mais entediante. O ritmo da história cai imensamente. E seja porque no primeiro, mal ou bem há surpresas, (quem vai imaginar que uma garota virgem, e mais ainda, completamente inexperiente com sexo vá cogitar entrar em uma relação BDSM), mas do segundo livro em diante, quando miraculosamente Grey está completamente apaixonado, (além de irritantemente meloso), fica difícil se surpreender com a história.
Mas apesar disso tudo, o livro poderia ser tolerado. No entanto, nem isso essa história maluca consegue.
Desde o início me incomodou imensamente a situação de submissão como mulher da Anastácia. Como ela nunca chega a aceitar e assumir plenamente a situação de Submissa isso não é desculpa para a relação abusiva entre ela e Grey. E não justifica, principalmente, que a história o descreva, e muita gente concorde, que ele é um novo príncipe encantado. Afinal, ele é controlador. O tempo todo está ao redor dela, tomando decisões por ela, como se ela fosse uma acéfala. Só eu acho um absurdo ele comprar a empresa onde ela acabou de ser contratada por causa de sua necessidade de “protegê-la”? Sério! As mulheres estão realmente se dispondo a ficar com caras que as achem tão idiotas e indefesas que não podem sequer dar um passo sozinhas? Ciumento. Ciumento a ponto de ser sufocante. Presunçoso. E o pior de tudo, ele é assustador. Ela, que é impressionável além da conta, demonstra por muito tempo que tem medo das reações do amado. E é justificado, já que Cristian tem o pior humor do mundo. Ele fica irascível com qualquer detalhe, qualquer mínimo desagrado. Não são raros os momentos em que Anastácia se preocupa com o que Sr Grey irá pensar das coisas corriqueiras do mundo como o convite de um amigo para conversar, algum problema no escritório.
E para justificar cada uma de suas pequenas monstruosidades temos uma infância problemática, e a dificuldade de Grey lidar com os próprios sentimentos. Cristian, tem segundo a própria história a maturidade de um adolescente. Então se seu marido, namorado te destrata, te subestima, sempre haverá algo que justifique. Eu não gosto e nem concordo com isso.
No fundo acho que o problema do Cristian Grey é que ele acha que a Ana, assim como, os bilhões que ele tanto se gaba de ter, não passam de uma propriedade, talvez por isso ele tenha tanto prazer em dizer que ela é dele, por isso controlar as roupas que ela veste, com quem ela fala, quando, como, e até, o que ela come, e quando ela deverá comer, independente de ter fome ou não. E também é por isso que Grey a marca, no primeiro capítulo de 50 Tons de Liberdade, apenas para que ela não faça topless. E ao invés de verdadeiramente se revoltar contra isso nossa mocinha demonstra que é tão consistente quanto picolé ao sol e alguns segundos depois de uma ira infantil, pronto lá está ela e sua maldita deusa interior derretidinha por ele. É patético.
O que me assusta e impressiona é como mulheres de todo o mundo não percebem isso e endeusam o senhor Grey, sonham com momentos ao lado de um homem assim.
Mais que uma literatura ruim, Cinquenta Tons demonstra uma fase ruim da nossa sociedade, principalmente, no campo afetivo. Não é difícil a gente ver pessoas tratando as outras como objetos, exigindo obediência, exaltando a violência, a posse e o poder.
Quanto à papagaiada sexual, bem, isso cabe uma análise a parte.

O que li:Cinquenta Tons Mais Escuros




Esse segundo livro me decepcionou.
Por mais que como literatura eu já soubesse que o livro era fraco, achei que a história iria manter seu ritmo de acontecimentos, que era bom, mas aqui temos uma história muito mais lenta e previsível.
Mas comecei o lendo em busca de respostas para os “problemas” do Grey, o excesso de controle, o lance de ser tocado. E, principalmente, esperando uma reação da tonta da Anastácia. E me iludi. Logo no comecinho ela começa a questionar o direito dele de controlar a vida dela, (comprar a empresa em que ela trabalha? Sério?), de mandar nela, se ela nunca foi oficialmente sua submissa. Mas a cada fraco questionamento ou protesto da mocinha, Grey lança seus olhares cinzentos, usa seu charme já batido, e Ana se transforma em uma garota tola e idiota em suas mãos.
Na verdade eu já tinha percebido no primeiro livro que a história é extremamente repetitiva, a autora chega a usar várias, e várias vezes as mesmas frases, e no segundo livro você já está tão acostumada com isso que cansa.
Grey SEMPRE sedutor, tudo o que ele faz é excitante e Anastácia é uma máquina de sexo, SEMPRE pronta, como diz o próprio Grey. E apesar de dois grandes fatores externos movimentar a história, a velha falta de talento da escritora não consegue nos manter entretidos de uma forma convincente.
Além disso, Grey, o frio e poderoso empresário se tornar, em uns poucos capítulos, num romântico incurável, num bobo alegre é, simplesmente, viagem demais pra mim. Quanto às praticas sadomasoquistas a escritora varre isso para debaixo do tapete, ele da noite pro dia não quer mais saber daquilo, esquece, em nome do amor, passa de Dominador ao homem “normal”. O que coloca o masoquismo na esfera da doença, só pratica quem não ama de verdade, quem vive “fodas vazias”, o rebaixa a uma doença psíquica. O que não deveria ser o caso.
E Anastácia, sem justiça alguma, é alçada a heroína, pois “salva” o Grey da vida que tinha. Sei que não dá pra cobrar realismo nessa história, no entanto, não custava nada ter mais os pés no chão aqui. Ser Dominador era parte do que o Grey era e ele apenas deixa isso para trás? Sério?
E aquele recurso da Deusa Interior, que demonstra as variações de humor e vontade da Ana? Gente é ridículo. Você ver uma ou outra manifestação da tal deusa até vai, mas piruetas e caras e bocas da dita cuja a cada mísera interação Grey/Ana é confiar demais na nossa paciência.
Chegou um momento em que eu saturei. E a única coisa que faz querer ler Cinquenta Tons de Liberdade e saber o desfecho final da história, sou dessas que não gosta de deixar uma história em aberto, e a minha esperança é de que, em algum momento Ana deixe de ser a mulher tola e idiota que é.
No entanto, logo nas primeiras páginas do terceiro livro da trilogia já perdi as minhas esperanças.



O que li: Manuscrito encontrado em Accra



Mais um livro do Paulo Coelho.
Eu sempre fui fã do Paulo, e meu livro favorito de todos, inclusive, é uma produção dele.
O Alquimista é um livro que eu já li e reli algumas vezes, e sempre termino a leitura com a mesma sensação agradável.
O livro é simples, prosaico, eu diria. Conta a história de um pastor que tem um sonho repetido de que ele encontra um tesouro ao pé das pirâmides do Egito. A história toda gira em torno dessa busca pelo tesouro.
A conclusão é simples e o livro é cheio de moral.
Mas isso já faz mais de 20 anos e agora O Manuscrito soa extremamente repetitivo. Sei que cada autor tem seu estilo, mas o que sentimos é que Paulo tem uma fórmula, que já está batida, e não abre mão dela. É sempre a mesma coisa.
O livro seria a tradução de um texto encontrado no Egito, e que data de antes da invasão dos cruzados a Jerusalém. Copta que não chegava a ser um religioso cristão, então respondia a perguntas da população sobre diversos temas, amor, sexo, elegância, coragem, lutas.
As mensagens são bonitas, mas o livro é tão lugar comum, com sua sabedoria batida que é difícil se concentrar.

sábado, 2 de março de 2013

Lendas amorosas

Todo mundo conhece a história do cara mal casado. 
O tadinho do homem carente, honesto, romântico casado com uma mulher meio frígida, fria e distante da qual ele, seja por pena, comodismo, ou por causa dos filhos, não consegue se separar. 
Ele trai a mulher, mas não é culpa dele. Nunca! A culpa é da esposa que mesmo diante dos seus esforços para manter a união o maltrata com a indiferença. E, como sempre, este é o clássico dos clássicos, eles não fazem sexo, são como amigos. 

A história é velha na literatura da vida, mas pasmem ainda faz vítimas. 
Ainda há quem acredite que alguém jovem, sem filhos, num caso em particular, que afirma já ter realizado mil e uma peripécias românticas sendo constantemente rechaçado, mantenha um casamento apenas por pena.

E como alguém próxima me preocupo com todas as demais consequências clichês: esposa descobrindo o caso, ele se declarando para aquela que até outro dia era a vilã da história, barraco, falatório, enfim...

Mas quando alguém se dispõe a acreditar em todos esses lugares comuns, em toda essa baboseira, fica difícil demonstrar o óbvio.