Estou revendo algumas coisas. Relendo escritos, repensando situações, enfim... analisando.
Incrivelmente hoje me deu uma paz inexplicável. Estou tranquila, de bem comigo mesma, como há muito tempo não ficava. Tudo começou porque eu me perdoei.
Sabe eu me cobro. Eu queria estudar. Eu preciso estudar. Quero ir à Grécia (tenho sentido esse sonho distante esses dias). Quero viajar, ter meu apartamento, meu carro, quero ir a festas, shows, ter uma vida confortável e oferecê-la a minha mãe o quanto antes. E a forma de eu conseguir essas coisas é através do" meu concurso", e para conseguir o "meu concurso" eu preciso estudar. Quanto antes melhor. Não está nada fácil passar em concurso e quanto mais eu adiar pior vai ser. Não curto muito meu" ambiente" de trabalho. Não é bem o ambiente, talvez o certo seja a perspectiva do meu trabalho.
Mas vamos pensar, essas coisas me deixam louca? Sim. Eu penso no quando, no como, no que preciso fazer para chegar lá, mas não adianta. Nada disso vai me dar a concentração necessária para diante do meu cansaço físico, dos meus problemas, das responsabilidades diárias, sentar e estudar Administrativo, lei seca, tributário e nem Constitucional, que é a minha matéria favoritinha.
Eu quero emagrecer. E tenho usado a comida como uma compensação para o stress e cansaço do dia a dia. E sei que está errado, sei que me premiar com salgadinhos ferra com meu corpo hoje e amanhã. E eu preciso retomar o controle que eu estava exercendo sobre as minhas compulsões e o meu emocional. Mas quem não se desequilibra diante dos problemas? Eu vou reencontrar o caminho, mas é difícil querer ser a mulher-maravilha e achar que eu posso manter todas as outras áreas da minha vida intactas quando todo o meu estilo de vida está mudando.
E claro a minha cagada amorosa. Se é que podemos, ainda que superficialmente, usar este termo. Não era amor, quero deixar bem claro. Mas sabe, eu me iludi, me iludi mesmo antes desse vendaval que me assolou. Mas eu me iludi, e vivi de ilusão por um tempão. A verdade, é que eu fiz aquilo que eu acho odioso, eu "implorei", ainda que não diretamente, mas implorei por um sentimento, por um relacionamento, e pirei quando não vi acontecendo. Pronto, defini. Foi isso o que fiz.
Eu o achei bonito, interessante. Alguém me disse que ele me achou bonita. E pronto! Eu já imaginei que ele era apaixonado por mim, que viveríamos um relacionamento do tipo: "nossa você é perfeita pra mim". E que isso se encaminharia para o primeiro relacionamento sério da minha vida. Não é de hoje que eu sinto falta de viver uma história de verdade. Ainda que acabasse. E olha, que desde o início eu já imaginava um fim trágico, com direito a lágrimas, brigas, magoas e outra. Mas eu investi e não quis ver claramente que ele não era o que eu queria, imaginava, e não era o cara por quem eu estava apaixonada, ainda que fosse uma paixão platônica.
Ele é um cara que não está apaixonado, que não sabe demonstrar sentimentos (nenhum sentimento, não estou falando dos mais profundos não, falo de qualquer mínimo sentimento). Ele não é o cara que eu esperava. Não é o cara que me entende e nem demonstra o interesse mínimo por mim, pelo meu prazer, pelo o que eu penso, enfim...
E mesmo diante de tudo isso, sim, eu insisti, chorei. Veja eu chorei por um cara com as características acima citadas. Meu Deus! Eu não quero especificar, mas se fosse contar tudo o que aconteceu. Jesuis! Eu sonhei que ele era "
Esse cara sou eu" e ele não passa de, bem, sei lá... As expectativas foram minhas.
Confesso que mesmo agora eu não sei como reagiria se ele fizesse um gesto gentil, um gesto em minha direção. Provavelmente, eu fecharia meus olhos e cairia dentro, mesmo sabendo a conclusão a que chegaria no momento seguinte.
Mas quem não quer? Quem não quer aquele cara com bom gosto musical? Sem ser aficionado e meio doente. Mas quem não quer um cara que se interesse por sua vida e te apoie? E por um tempo, sim, ele fez isso. Achei que ele fosse assim sempre. Quem não quer um cara que te admire? Que esteja enfeitiçado por você? Isso foi totalmente da minha cabeça. Enfim, muita gente, pra não dizer todos, querem isso. E apesar de saber que essas coisas acontecem. Apesar de saber que isso não pode ser exigido. Apesar de saber que isso não pode ser implorado, eu perdi o controle. Fazer o quê?
Agora é colocar a cabeça no lugar e me tratar bem é o caminho. Minha vida não vai ser sempre assim.
Estudar? Sim, no ano que vem. Esse já era o plano original, e mais uma razão para mantê-lo.
Alimentação? Vou cortando aos poucos. Vou começar a organizar as guloseimas, ninguém disse que eu tinha que fazer uma dieta zero.
E quanto ao relacionamento? Vou tentar me conscientizar, e colocar a cabeça no lugar o máximo possível. Eu vou conseguir. Eu sei que vou.