Fui a um show do Rappa em uma Festa de Peão em uma cidade
próxima.
E confesso que nunca imaginei, mas me senti “fashionmente”
deslocada. O lugar do show é um campo aberto e de terreno conhecidamente acidentado.
E o que eu vi? Meninas se equilibrando em saltos altíssimos e, aparentemente,
desconfortáveis. Principalmente, se considerarmos que eles formavam par com
vestidos de lycra grudados ao corpo e extremamente curtos.
Era um show de rock, algo descontraído, e aquelas meninas,
geralmente, as mais jovens, pareciam tão “emperetecadas”, estáticas,
embonecadas que a impressão que passava era que sua última intenção havia sido
a de se divertir. O que se entendia era que elas estavam ali para ganhar
olhares, e cantadas toscas, como são na maior parte das vezes.
Você não via acessórios transados, ou mesmo roupas
estilosas. Era tudo de cores berrantes, curtas e só.
Não era difícil olhar para o lado e vê-las repuxando seus
minúsculos vestidos. E no final do show o que se via era um bando de mulas
mancas pisando em ovos. Eram aquelas torturadas meninas que após se manter nas
alturas por horas já não suportavam mais seus sapatos, e as que não os
arrancavam e seguiam descalças pela rua suja, apoiavam se em alguém e seguiam
mancas e doloridas para casa.
Talvez eu esteja na contramão. Sempre fui alta e até gosto
de saltos, mas não tenho aquela intimidade. Chego a pensar um milhão de vezes
antes de sair de casa com um. Penso logo em todas as possibilidades: o tempo
que terei que ficar em cima deles, percurso, terreno, “hora, local e a razão”.
Mas nem isso, me manteve distante dos meus próprios dias de
mula manca. Quem nunca calculou mal o conforto daquele calcado que muitas vezes
é lindo, mas pouco prático, e extremamente desconfortável. Eu já.
E foram experiências terríveis! E hoje em dia, talvez pelo
peso da idade (27 anos, baby), eu dê mais valor a me sentir confortável, me
divertir do que atrair olhares, ou usar, o que dizem ser obrigatório na moda.



