terça-feira, 16 de abril de 2013

A moda das "novinhas"


Fui a um show do Rappa em uma Festa de Peão em uma cidade próxima.
E confesso que nunca imaginei, mas me senti “fashionmente” deslocada. O lugar do show é um campo aberto e de terreno conhecidamente acidentado. E o que eu vi? Meninas se equilibrando em saltos altíssimos e, aparentemente, desconfortáveis. Principalmente, se considerarmos que eles formavam par com vestidos de lycra grudados ao corpo e extremamente curtos.
Era um show de rock, algo descontraído, e aquelas meninas, geralmente, as mais jovens, pareciam tão “emperetecadas”, estáticas, embonecadas que a impressão que passava era que sua última intenção havia sido a de se divertir. O que se entendia era que elas estavam ali para ganhar olhares, e cantadas toscas, como são na maior parte das vezes.
Você não via acessórios transados, ou mesmo roupas estilosas. Era tudo de cores berrantes, curtas e só.
Não era difícil olhar para o lado e vê-las repuxando seus minúsculos vestidos. E no final do show o que se via era um bando de mulas mancas pisando em ovos. Eram aquelas torturadas meninas que após se manter nas alturas por horas já não suportavam mais seus sapatos, e as que não os arrancavam e seguiam descalças pela rua suja, apoiavam se em alguém e seguiam mancas e doloridas para casa.
Talvez eu esteja na contramão. Sempre fui alta e até gosto de saltos, mas não tenho aquela intimidade. Chego a pensar um milhão de vezes antes de sair de casa com um. Penso logo em todas as possibilidades: o tempo que terei que ficar em cima deles, percurso, terreno, “hora, local e a razão”.
Mas nem isso, me manteve distante dos meus próprios dias de mula manca. Quem nunca calculou mal o conforto daquele calcado que muitas vezes é lindo, mas pouco prático, e extremamente desconfortável. Eu já.
E foram experiências terríveis! E hoje em dia, talvez pelo peso da idade (27 anos, baby), eu dê mais valor a me sentir confortável, me divertir do que atrair olhares, ou usar, o que dizem ser obrigatório na moda.

sábado, 13 de abril de 2013

O que li: Carlos Magno: A vida do Imperador do Sacro Império Romano - Allan Massie



Sempre gostei de biografias, principalmente, de personagens da história antiga. Alexandre Magno, Júlio César, Cleópatra, Marco Antônio e muitos outros. E também gosto de romances históricos. Afinal, é bom ver aquele personagem admirado por grandes feitos sair do olhar frio de um historiador-pesquisador e ganhar vida, desejos, emoções, pensamentos pelas mãos de um bom romancista-historiador. Isso preenche aquela lacuna entre o grande feito, entre o herói cantado por poetas e trovadores e o verdadeiro ser humano capaz de vencer seus medos e dúvidas e ser grande em atitudes e feitos.
Já li, inclusive, outros livros de Allan Massie dos quais eu gostei. Mas Carlos Magno: A vida do Imperador do Império Romano não está entre os melhores livros do autor.
O primeiro ponto da obra que me incomodou foi o fato de que o título não corresponde ao livro. A ideia, creio eu, de qualquer pessoa que pegue este livro para ler é saber um pouco do império franco através da trajetória de seu líder. Como Carlos chegou ao poder, ou como o expandiu, o manteve, seus amores, família, tudo sob sua ótica ou de alguém muito próximo. Mas Massie estranhamente escreveu um romance sobre Carlos Magno em que ele é personagem coadjuvante.
Durante mais de 100 páginas conhecemos a história de personagens secundários, ou não tanto, como é o caso de Rolando-Orlando sobrinho do imperador e seu herói de guerra. E outros menos importantes como Benine, protetor de Rolando, Milan, seu pai, Ganelon. Tudo bem, que a história deveria ter uma ambientação, no entanto, com o roteiro que a história tem termina-se o livro sem saber mais de Carlos Magno do que se sabia ao iniciar a leitura. Seria mais justo com o leitor que esse fosse um romance sobre o herói da Idade Média cantando em poemas e trovas Rolando-Orlando. Já que são seus pais, seu nascimento, juventude, torneios, guerras, amor e conquistas que vemos narrados no livro.
Entretanto, nem mesmo por Rolando temos simpatia sendo considerado tolo, e no final, genioso e destemperado pelo próprio narrador.
No mais, a narrativa tem um estilo floreado com o qual também não simpatizei, sempre flertando com o mundo fantasioso de forma bem surreal ainda que para uma biografia romanceada. Seria como escrever sobre os faraós realmente os considerando deuses, sobre-humanos.
No entanto, confesso apesar de tudo levei a narrativa até o fim, pois há momentos interessantes na história. E considerações muito boas. Apesar de tudo, recomendo a leitura sem que se crie qualquer expectativa. 
Mas o livro tem suas partes interessantes e seus dizeres memoráveis.
“A verdade é que detesto tomar o caminho direto e adoro explorar os secundários. O viajante que se apega a rotas muito usadas e, com o olhar abaixado, apressa-se a chegar ao destino, recusando-se a permitir que seus olhos perambulem e seus pensamentos vaguem, a fim de não ser distraído, é sempre, na minha opinião, um bicho enfadonho, indigno da liberdade e do livre-arbítrio que lhe foi concedido por nosso Pai que está no céu.”

              

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Lição do dia



A decepção às vezes é doce. E eu digo isso porque em alguns momentos a melhor coisa que uma pessoa pode fazer por você é te decepcionar. Porque aí tudo fica incrivelmente mais fácil: esquecer, sobreviver, enfim.

É um presente amargo ver alguém de quem você gosta e tem em alta estima escorregar naquilo que você considera nobre. Mas é a vida, e o preço que a gente paga por votar dignas intenções, atitudes, e caráter a quem não tem a capacidade de ser verdadeiro
.
“Uma coisa que eu aprendi na vida; Deus não te tira as coisas, Ele te livra delas.”

Lição do dia, para todos os dias.