E, justamente por isso, dentro de mim se debatem duas
opiniões sobre a gordura.
Ninguém tem que ser magro para ser feliz, não são números na
balança que demarcarão beleza, aceitação, felicidade, e quiçá, saúde. Sim
saúde.
Os propagadores da “gordofobia do bem” irão rugir dizendo
que gordura é doença, logo, magreza é saúde.
Não tenho muita paciência com a discussão, é mais um
daqueles casos de quem não quer entender, não entende.
Afinal, não é difícil ver que ser um magro sedentário, que
se alimenta mal, estressado não te faz mais saudável do que aquele gordinho que
se movimenta, tranquilo e que talvez, não a risca, tenha sim uma alimentação
saudável, boa genética.
Claro que não estamos falando de obesidade. Principalmente,
obesidade mórbida, que ai sim, está na categoria de doenças (nem por isso
merece ser tratada com deboches e descaso).
Mas a magreza tem em nossos tempos ares de porta da
felicidade. Quem é ou já foi gordinho sonha com o corpo mais leve, com alguns
ossinhos saltando aqui e acolá, e com quilos a menos imaginamos que essa pouca
massa trará amor, felicidade e saúde.
Sim. Seria tudo isso fruto daquelas malditas propagandas de
iorgut, capas da revista Nova e Boa Forma? Sim e mais que estas. Em todo lugar
beleza e magreza são vendidos como chaves da felicidade, solução de todos os
problemas.
E eu, como eterna gordinha, até desconfiava que não era bem
assim. Mas a cada amiga magra que era paquerada, a cada visita as lojas em que
roupas para o meu tamanho não eram encontradas meu cérebro se rendia a lógica
capitalista de que bonita e magra minha vida seria outra.
Ah quanta besteira. Quantos dias na piscina, quantas roupas
mais confortáveis, quantos dramas e lágrimas derramei a toa.
Mas é patente, que não se deve duvidar do poder comercializado
da nossa mente, então bravamente fui atrás da felicidade. Emagreci. E mesmo
hoje, não tendo chegado a minha “meta”, e sinceramente já ter até desistido
dela, mesmo que hoje muitos ainda não me vejam como magra (o lance dos ossinhos
saltando não é pra mim) eu entrevejo um pouco da tal felicidade. Estou me
amando mais. Estou me gostando mais, me admirando mais no espelho e fora dele.
Afinal, a trancos e barrancos eu consegui.
Hoje sou eu quem rejeita às roupas e não elas a mim. (Em
tese. Ainda sou alta demais, e grande demais para usar de tudo, caber em tudo,
e muito menos, ficar bem em tudo)
Sinto uma liberdade maior, talvez por saber que fui aceita, do que pela magreza.
Sim, considerando todo o dito eu sou uma vítima de todo uma indústria que vende felicidade a quilo.
Mas acima de tudo sou prova de que felicidade é aquilo a que a gente dá nome, acredita. Me sinto melhor porque coloquei no processo de emagrecimento a força de uma batalha a ser vencida.
Sinto uma liberdade maior, talvez por saber que fui aceita, do que pela magreza.
Sim, considerando todo o dito eu sou uma vítima de todo uma indústria que vende felicidade a quilo.
Mas acima de tudo sou prova de que felicidade é aquilo a que a gente dá nome, acredita. Me sinto melhor porque coloquei no processo de emagrecimento a força de uma batalha a ser vencida.


