Mas os sentimentos provocados por Melissa vão além da raiva,
do "no seu lugar eu faria melhor" é um nojo, uma repulsa e
incredulidade em como alguém pode ser tão idiota.
E isso não acontece porque ela fala de sexo, porque ela
busca uma liberdade sexual que muitas vezes é negada as mulheres.
Mas o que Melissa nos transmite é o próprio ódio/
desrespeito/ indignidade que trata a si mesma.
Melissa é uma jovem de 16 anos que descobre o sexo, as orgias
e o peso de quando ainda não conseguimos saber nossos limites, lidar com nossas
escolhas e impor nossos desejos.
Ela não é uma mulher livre em busca de sexo, é alguém que vê
sexo, muitas vezes, como algo sujo, repulsivo e o vive dessa maneira. Tampouco
ela é uma mulher, é uma menina e, quanto mais constatamos isso, mas pena tenho
dela. Ela se sente usada e, talvez aqui sua imaturidade/ juventude pese para
que permita a continuidade disso.
Confunde dar sexo com conseguir amor. Busca e se atribuí uma
paixão idealizada. Confunde realidade e fantasia. Acreditar aquele final "filme
Disney" é bem difícil.
Em alguns momentos é possível ver sua tentativa de tornar
sua narrativa lírica. Falas desconexas que tentam dar uma embelezada numa
narrativa de alguém que está se sujando, andando num precipício sem fim e mal
se dá conta.