domingo, 29 de dezembro de 2013

Os Machucados


Me lembro que o livro Comprometida, da mesma autora de Comer Rezar Amar, citava uma pesquisa que comprovava que filhos de pais divorciados têm maior tendência a ter relacionamentos fracassados. Basicamente é a falta de um bom exemplo em casa no decorrer da vida que nos deixa despreparados para os eventuais conflitos de um relacionamento. 

Eu não tenho bons exemplos. Não tenho exemplo algum. Não sei lidar com os homens, não sei me comportar. Não sei me abrir... Enfim, poderia fazer uma lista infinita das coisas que eu não sei.

Eu estou apaixonada. Mas ao mesmo tempo apavorada. Tenho medo, muito medo porque pra mim é difícil olhar o futuro, pensar em futuro, me permitir pensar no futuro. 
É difícil acreditar que será simples, que dará certo. É difícil não imaginar que num futuro próximo seremos mais dois estranhos.

Hoje em dia entendo aquela fantasia das pessoas do amor que começa na juventude e vai até o fim da vida. Seria mais fácil. Não teríamos feridas antigas, algumas ainda abertas. Não teríamos tantos medos se fosse assim. 







domingo, 8 de dezembro de 2013

O que está na escuridão?

Quais são meus cinco maiores defeitos? 
Estava lendo Comprometida o chatinho livro da também autora de Comer Rezar Amar em que ela em sua odisseia para entender a instituição do casamento lista, para seu amado, seus cinco maiores defeitos. Aqueles elementos da sua personalidade que são obscuros e sensíveis em sua personalidade e dia a dia.


Não precisam ser um só ou nem cinco. Sou cheia de defeitos, que no fundo, acredito que não se sobrepõe as qualidades, mas talvez, em número, sim.
 Mas como listas são coisas fáceis de lidar, e organizam as ideias, segue assim:

1. O primeiro e mais pungente é: o egoísmo. Eu tento, me esforço, mas minha mente é assim: primeiro eu. Se, seja materialmente, no campo afetivo, ou espiritual, seja  o que for: se tiver em fartura, dá pra todo mundo, "dá e sobra?" ótimo, vamos dividir! Mas se tem pouco ou se só tem um, primeiro eu. Não adianta, por mais que me esforce só consigo pensar no outro depois que o meu está garantido. Isso é ruim. E feio.

2. Preguiça. Eu, claro, sou a maior vítima desse defeito. Sou preguiçosa num nível celular. Sou preguiçosa com meu futuro (fujo de desafios por preguiça), com pessoas (interação social? me cansa), sentimentalmente (o trabalho de satisfazer afetivamente alguém é maior do que a culpa de ver alguém carente do que posso oferecer. fim). Enfim, reclamo apenas como constatação deste defeito mór. A reclamação me deixa consciente, muitas vezes, do que eu quero/ queria mudar a minha vida, mas a preguiça, em geral, me impede de agir.

3. Sou desonesta afetivamente. Me lembro que no meu último "suicídio a dois" eu disse ao pobre rapaz que a chave para a felicidade (sabe é bem, mas bem pretensioso eu ser a pessoa que dá dicas de sucesso no relacionamento) era que fossemos sinceros um com o outro no que sentíamos, no que pensávamos. Mas sabe, eu não era. Eu não sou. E sequer sei como fazer isso. 
Se algo me dói ou incomoda, dificilmente me abrirei com alguém, provavelmente me afastarei ou usarei de artimanhas para que o outro sinta que estou dolorida sem nunca explicar a razão da dor. Cansativo. Extenuante. 

4. Sou pessimista. Em relação às pessoas. Sempre espero o pior das ações humanas, e sou do tipo que não acredita muito em conversões e mudanças radicais. E sou pessimista quanto ao futuro. Vejo as dificuldades com lente de aumento. 

5. Faço questão de guardar rancor.É mais do que ser rancorosa (que palavra horrível) é manter-se firme a esse sentimento, mesmo quando consigo entrever que seria melhor me libertar dele. Não esqueço, não quero esquecer, me apego a dor causada como um troféu. Muito, muito ruim.

Todo temos defeitos. Não sou a pior por pessoa do mundo. Poderia ser melhor se trocasse alguns desses defeitos por outros. Talvez alguns, sempre ver o lado ruim com lente de aumento faça dessa uma análise desonesta. 
Mas o que importa é a gente reconhecer o que temos de pior e melhor. Autoconhecimento, acredito, é um caminho para a felicidade. 


terça-feira, 3 de dezembro de 2013

O que eu li: Comer Rezar Amar - Elizabeth Gilbert


            Realmente criei grande simpatia pela Liz – Elizabeth Gilbert a autora e principal personagem do livro. Ao se descrever como uma pessoa falastrona e com grande facilidade de fazer amizades, e de comunicação seja com quem for, Liz nos dá uma pista do porquê apesar de cansativo, por um longo período, raso em muitas de suas colocações, eu levei este livro até o fim.
A história começa com uma americana de trinta e poucos anos e que está enfrentando um difícil divórcio. Desesperada Elizabeth pede ajuda a Deus, caí nos braços de um novo e canastrão namorado e no ápice de todo seu sofrimento ela resolve se “encontrar”. O problema da história, que sim é bem clichê, é que Liz é o tipo de pessoa que vê significados, conversão, espiritualidade e amor com muita facilidade e em coisas bem banais.
A viagem do “Eu” ( “I” – Itália – Índia – Indonésia) começa pela Itália. E tenho que dizer, se ela tivesse viajado pela Europa, pelo mundo que fosse. Se tivesse só viajado, bem, esse seria com certeza meu livro favorito de todo o sempre. Mesmo que seu enfoque na Itália não fosse o meu favorito, de fato ela é uma boa “mochileira”. Nesta parte da viagem Liz busca o prazer, e ela encontra o prazer na comida e aprendendo italiano. Eu sou apaixonada pela história antiga de Roma, então é claro que fico um pouco decepcionada com fato de que ela sequer chega perto de um templo, museu. Ainda assim, lê-la descrever pratos e mais pratos da deliciosa culinária italiana me encheu de “apetite”.
Logo depois a viagem segue a Índia e poderia ser uma viagem e tanto, mas Liz vai para um ashram. Nada contra a busca espiritual de ninguém, mas vê-la descrever infinitamente meditações, após meditações, luzes e suas epifanias torna o livro bem chato. Por pura determinação é que me mantive adiante na leitura.
Na Indonésia – Bali, a história tem seu desfecho, e percebemos o quanto ela é bem inocente com algumas coisas. Acredita em crendices, superstições, toda a sorte de histórias que nos contam como de fato verdadeiras. Tudo acontece ao seu tempo, e Liz conhece um brasileiro, se apaixona, e se não tem o “felizes para sempre” no fim, deveria.
Meu problema com a autora é exatamente este. Ela ama com muita facilidade, se converte com muita intensidade, é feliz para sempre com muita pressa. Me irritou o modo superficial como ela caracteriza todo mundo, todos os italianos são simpáticos, alegres, sexys. Todas as balinesas são bonitas. Todos os gurus são verdadeiros. Todas as brasileiras são “brasileiras” (seja lá o que esse estereótipo signifique).
Mas apesar de tudo, como uma leitura de uma tarde ensolarada ou num dia chuvoso este livro cumpre seu papel de entreter.

               

terça-feira, 26 de novembro de 2013

O que eu li: O Livro de Ouro dos Sonhos - Gayle Delaney

        
 Eu sempre tive um grande interesse em interpretação de sonhos. Minha mãe sonha todos os dias com a minha avó que já faleceu há mais de 20 anos. Tem sonhos vívidos, coloridos e cheios de tramas. E tornou-se um hábito entre nós comentar sobre eles no café da manhã. Eu mesma já tive muitos sonhos repetidos e surpreendentes.
               Tive um sonho estranho em que eu visitava um templo sagrado com minha mãe, meses depois tive o mesmo sonho com meu avô. Me lembro claramente da sensação de paz, e encantamento com lugar.
               Tradicionalmente depois de um sonho interessante eu consultava um velho “dicionário dos sonhos” em busca de uma interpretação, sempre torcendo para que aquilo não significasse nada de ruim. Sim, é uma supertição boba, eu sei.
Gayle Delaney criou um método que permite que qualquer pessoa interprete um sonho. Inclusive, permitindo que nós mesmos interpretemos nossos próprios sonhos. Ótimo, maravilhoso? Não. Não é tão simples.
O problema do livro começa que sua escrita é penosa. Só o meu profundo interesse no assunto me levou a conseguir terminá-lo. Ele parece ter sido escrito para algum trabalho acadêmico, tem uma escrita quadrada e sem ritmo.
Mas ainda assim, a pior coisa do livro é a autora. Ela é melhor que Freud, Jung, e qualquer outro psicólogo, intérprete, qualquer outro que na História da humanidade já tenha ousado escrever sobre sonhos. E ela faz questão de nos lembrar disso a cada linha que chama Freud de soberbo, o método de fulano de falho, arrogante. Enfim. Essa atitude dela tornou a leitura difícil porque eu criei antipatia por Gayle. No final do livro, inclusive, ela se gaba de que SEU MÉTODO revolucionou o treinamento de gerentes, administradores, físicos, blá, blá, blá. São longas 20 ou mais páginas apenas com puro marketing pessoal.
Mas isso é já no finalzinho do livro. Pra começar você enfrentará a história dos sonhos desde eras mais antigas. E o ruim é que você está doida para saber como faz, e essa enrolação.  
Quanto ao método, tenho tentado aplicar ainda sem grande sucesso. De fato, a argumentação de todo o seu método de interpretação parte do princípio de que significados “fixos” das imagens dos sonhos não tem cabimento porque cada uma delas expressa algo que varia de indivíduo para indivíduo. Se você é dentista, ou morre de medo de ir a um, está com dor de dentes, sonhar com eles terá um significado diferente.  
Delaney ensina o tal método a conta gotas. Basicamente, você deve prestar atenção às imagens do seu sonho e tentar entender a metáfora que ela traz. Para ajudar ela cria um método de entrevista em que o sonhador tem que fingir que o entrevistado veio de outro planeta, ou seja, mesmo imagens simples e banais devem ser explicadas na sua totalidade.
Exemplo, ele tinha um Fusca. O que é um Fusca? Para que eles servem? Pois independentemente do que signifique um Fusca na nossa realidade, em um sonho ele pode ter um sentido muito mais amplo, e às vezes até contrário.
Funciona assim:

“Eis o sonho de Renata, que passou de imagens aparentemente não sexuais para tema sexual:
‘Eu tirei o esmalte vermelho das unhas dos dedos dos pés e das mãos, e depois coloquei um esmalte branco-perolado. Sorrindo, mostrei minhas mãos e pés a meu marido, esperando satisfação e aprovação.’
Quando teve esse sonho, Renata e seu marido tinham acabado de voltar a viver juntos, após um ano de separação. Após duas perguntas, ela compreendeu seu sonho.
Gayle: Eu venho de outro planeta. Por que mulheres usam esmaltes nas unhas?
Renata: Para ficar sensuais e atrair o sexo oposto.
Gayle: Qual a diferença de usar esmalte vermelho e o branco-perolado?
Renata: O vermelho é uma cor muito sensual e o branco, não. O branco é a cor da pureza e o vermelho, a da paixão. (...) O sonho me mostra renunciando a minha paixão para conquistar a aprovação e amor do meu marido.” (P. 167, 168)

Continuarei tentando achar significado e aplicar as técnicas da autora. Seria interessante entender por que todos os caras do meu sonho são muito mais bonitos do que na realidade? Por que eu sonhei que estava fazendo sexo com o Maradona ao invés do Paul Bettany?  Ou até, como promete a autora, resolver problemas, práticos e emocionais, psicológicos com os sonhos.
Enquanto isso, vou lutando para conseguir me lembrar deles pela manhã. Já é o bastante.


domingo, 24 de novembro de 2013

Paralisada



Eu sei o que quero.
Onde quero ir.
Como quero chegar, mas algo invisível a olho nu está se interpondo a todos os meus sonhos.

O medo. O velho e bobo medo de tomar decisão, fazer escolhas, de viver.
Me entristece não ter escolhas, não estar lá onde eu queria, estar perdendo parte da minha vida.
Mas o medo me paralisa.

O que posso fazer? Qual a solução?
Paralisada

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Gordículos


Sempre fui uma pessoa de julgamento de entremeios.
E, justamente por isso, dentro de mim se debatem duas opiniões sobre a gordura.
Ninguém tem que ser magro para ser feliz, não são números na balança que demarcarão beleza, aceitação, felicidade, e quiçá, saúde. Sim saúde.
Os propagadores da “gordofobia do bem” irão rugir dizendo que gordura é doença, logo, magreza é saúde.
Não tenho muita paciência com a discussão, é mais um daqueles casos de quem não quer entender, não entende.
Afinal, não é difícil ver que ser um magro sedentário, que se alimenta mal, estressado não te faz mais saudável do que aquele gordinho que se movimenta, tranquilo e que talvez, não a risca, tenha sim uma alimentação saudável, boa genética.
Claro que não estamos falando de obesidade. Principalmente, obesidade mórbida, que ai sim, está na categoria de doenças (nem por isso merece ser tratada com deboches e descaso).

Mas a magreza tem em nossos tempos ares de porta da felicidade. Quem é ou já foi gordinho sonha com o corpo mais leve, com alguns ossinhos saltando aqui e acolá, e com quilos a menos imaginamos que essa pouca massa trará amor, felicidade e saúde.
Sim. Seria tudo isso fruto daquelas malditas propagandas de iorgut, capas da revista Nova e Boa Forma? Sim e mais que estas. Em todo lugar beleza e magreza são vendidos como chaves da felicidade, solução de todos os problemas.
E eu, como eterna gordinha, até desconfiava que não era bem assim. Mas a cada amiga magra que era paquerada, a cada visita as lojas em que roupas para o meu tamanho não eram encontradas meu cérebro se rendia a lógica capitalista de que bonita e magra minha vida seria outra.

Ah quanta besteira. Quantos dias na piscina, quantas roupas mais confortáveis, quantos dramas e lágrimas derramei a toa.
Mas é patente, que não se deve duvidar do poder comercializado da nossa mente, então bravamente fui atrás da felicidade. Emagreci. E mesmo hoje, não tendo chegado a minha “meta”, e sinceramente já ter até desistido dela, mesmo que hoje muitos ainda não me vejam como magra (o lance dos ossinhos saltando não é pra mim) eu entrevejo um pouco da tal felicidade. Estou me amando mais. Estou me gostando mais, me admirando mais no espelho e fora dele.
Afinal, a trancos e barrancos eu consegui.

Hoje sou eu quem rejeita às roupas e não elas a mim. (Em tese. Ainda sou alta demais, e grande demais para usar de tudo, caber em tudo, e muito menos, ficar bem em tudo)
Sinto uma liberdade maior, talvez por saber que fui aceita, do que pela magreza.
Sim, considerando todo o dito eu sou uma vítima de todo uma indústria que vende felicidade a quilo.
Mas acima de tudo sou prova de que felicidade é aquilo a que a gente dá nome, acredita. Me sinto melhor porque coloquei no processo de emagrecimento a força de uma batalha a ser vencida. 

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Tá no ritmo?


Eu acredito no ritmo da vida.
Acredito, plenamente, que algumas coisas acontecem porque têm que acontecer.
Que a dificuldade de hoje te prepara para os caminhos mais tortuosos de amanhã.
E às vezes me pergunto até que ponto isso é fé na vida ou acomodação?

Quando olho pro caminho que percorri até aqui consigo perceber dois elementos importantes: um fio que parece unir tudo numa simetria perfeita, uma sequência propulsora que me leva ao salto seguinte; e também a minha inércia em lutar por aquilo que parecia não se encaixar na ordem vigente.

Talvez seja meu positivismo se exibindo, mas vejo as dificuldades de hoje como a consolação de amanhã. Os momentos em que a vida me encurralou as melhores saídas apareceram como um prêmio pela minha resistência.
Será que eu teria me esforçado tanto e seguido tão firme sem certa rigidez da vida?
Fiz os amigos certos: aqueles que sempre me incentivaram a pensar maior, a seguir em frente.
Tive a mãe certa e com um pé no realismo que me fez desconfiar muito do elemento sorte.
Tive a companhia de sonhos e oportunidades que vão me movendo.

Mas ao mesmo tempo, seja pelas dificuldades, externas ou pelas internas, com algumas coisas, me convenci que não eram pra mim. Até hoje, bem lá no fundo vejo assim, ainda repito - Eu não sou pra isso, eu não sei lidar com isso.
Deveria ter sido o Amor minha luta contra o estado natural das coisas? Deveria sido mais rebelde e assim ter tido um prêmio maior que é o amor? Começo a achar que as outras coisas podem vir por merecimento na resiliência e o amor dependeria de uma coragem maior, mais sangrenta, menos pacífica. 
Mas sempre sobrevém a pergunta: Não será este o meu destino? 

Estar sozinha é mais fácil. E quando olho para minha natureza percebo que amor, relacionamentos parecem contrários a ela. Antinatural.
Vejo o rumo que minha vida tomou e creio que um relacionamento a teria afetado de uma forma circunstancial não positiva.

Certa vez, alguém muito próximo disse: "Minha personalidade não cabe ter alguém ao lado."
E talvez a minha também não. Vai entender.

Assim, vou cambaleando entre a aceitação e a revolta. Entre o auto-amor e a solidão.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

O dia daqueles que não foram


Querido hoje é o dia dos namorados, mas não é nosso dia.
Talvez, assim como em muitos outros, eu fique olhando por aí procurando incessantemente pelo seu carro bordô.
Talvez eu continue achando que em algum momento um quê de romantismo "shakesperiano" irá te abordoar e você correrá até mim com um sorriso nos lábios.
Talvez eu continue reconectando os fios de nossas existências, dessa e das passadas, tentando nos unir em laços infindáveis e espirituais.
Talvez eu continue tendo aquele diálogo em que eu te digo porquê fui tão infantil e você diz o porquê de tanta distância e "desimportância".
Quem sabe no final era excesso de amor, muito de nós na história?
Talvez eu continue achando músicas melosas que têm um quê da gente.
Talvez continue chorando por lembranças nossas que nunca aconteceram.
E mais, por um tempo que não consigo precisar, provavelmente minhas noites serão regadas por lágrimas por este tão sonhado "nós".
Mas hoje é dia dos namorados e não é o nosso dia.
Eu nunca soube se éramos namorados.
E creio, bem lá nas profundezas escuras da minha racionalidade, que nunca seríamos verdadeiramente bons um pro outro.
Não adianta, mas bem antes de gostar da ideia de gostar e sofrer por alguém, quando tudo o que eu via era você e eu, eu soube que não seríamos nós feitos para o outro.
Você muito comedido, muito dado as coisas feitas com perfeição, muito com o quê na linha reta, deixando-me, mais por culpa minha e das minhas expectativas, sempre sem graça e desconfortável.
Eu sempre precisando de uma reafirmação explícita de carinho e devoção eterna, sempre dizendo o contrário do que desejo ou penso, sempre procurando me encaixar nos devaneios alheios desprezando o que há de bom em mim.
Não somos nós como tardes cinzas, bons livros e vinho.
Não somos como manhãs frescas.
Não somos como um Los Hermanos.
Não nos comparamos ao cheiro de pão fresco, de fome saciada, de gargalhada na mesa de bar com amigos, ou com noites de luar estrelada.
Somos pouco um pro outro.
E o amor precisa de quem é muito.
Não foi amor.
Não foi namoro.
Não teve quê, de quê.
Fomos.
Eu continuo sendo.


The Killers - Here With Me


quinta-feira, 30 de maio de 2013

No futuro


Eu vivo no tempo futuro.
Eu vivo com medos futuros e meramente imaginados.
Eu sofro por amores que só eu vivi.
Por brigas, por mágoas que ninguém me causou.
Sei que é burrice o sofrer prematuro por algo que nem germinou.
Mas não consigo impedir.
E perco o presente me entregando a dores que não vem porque sequer deixo a vida acontecer.
Sofri por te perder e sequer te encontrei.

terça-feira, 16 de abril de 2013

A moda das "novinhas"


Fui a um show do Rappa em uma Festa de Peão em uma cidade próxima.
E confesso que nunca imaginei, mas me senti “fashionmente” deslocada. O lugar do show é um campo aberto e de terreno conhecidamente acidentado. E o que eu vi? Meninas se equilibrando em saltos altíssimos e, aparentemente, desconfortáveis. Principalmente, se considerarmos que eles formavam par com vestidos de lycra grudados ao corpo e extremamente curtos.
Era um show de rock, algo descontraído, e aquelas meninas, geralmente, as mais jovens, pareciam tão “emperetecadas”, estáticas, embonecadas que a impressão que passava era que sua última intenção havia sido a de se divertir. O que se entendia era que elas estavam ali para ganhar olhares, e cantadas toscas, como são na maior parte das vezes.
Você não via acessórios transados, ou mesmo roupas estilosas. Era tudo de cores berrantes, curtas e só.
Não era difícil olhar para o lado e vê-las repuxando seus minúsculos vestidos. E no final do show o que se via era um bando de mulas mancas pisando em ovos. Eram aquelas torturadas meninas que após se manter nas alturas por horas já não suportavam mais seus sapatos, e as que não os arrancavam e seguiam descalças pela rua suja, apoiavam se em alguém e seguiam mancas e doloridas para casa.
Talvez eu esteja na contramão. Sempre fui alta e até gosto de saltos, mas não tenho aquela intimidade. Chego a pensar um milhão de vezes antes de sair de casa com um. Penso logo em todas as possibilidades: o tempo que terei que ficar em cima deles, percurso, terreno, “hora, local e a razão”.
Mas nem isso, me manteve distante dos meus próprios dias de mula manca. Quem nunca calculou mal o conforto daquele calcado que muitas vezes é lindo, mas pouco prático, e extremamente desconfortável. Eu já.
E foram experiências terríveis! E hoje em dia, talvez pelo peso da idade (27 anos, baby), eu dê mais valor a me sentir confortável, me divertir do que atrair olhares, ou usar, o que dizem ser obrigatório na moda.

sábado, 13 de abril de 2013

O que li: Carlos Magno: A vida do Imperador do Sacro Império Romano - Allan Massie



Sempre gostei de biografias, principalmente, de personagens da história antiga. Alexandre Magno, Júlio César, Cleópatra, Marco Antônio e muitos outros. E também gosto de romances históricos. Afinal, é bom ver aquele personagem admirado por grandes feitos sair do olhar frio de um historiador-pesquisador e ganhar vida, desejos, emoções, pensamentos pelas mãos de um bom romancista-historiador. Isso preenche aquela lacuna entre o grande feito, entre o herói cantado por poetas e trovadores e o verdadeiro ser humano capaz de vencer seus medos e dúvidas e ser grande em atitudes e feitos.
Já li, inclusive, outros livros de Allan Massie dos quais eu gostei. Mas Carlos Magno: A vida do Imperador do Império Romano não está entre os melhores livros do autor.
O primeiro ponto da obra que me incomodou foi o fato de que o título não corresponde ao livro. A ideia, creio eu, de qualquer pessoa que pegue este livro para ler é saber um pouco do império franco através da trajetória de seu líder. Como Carlos chegou ao poder, ou como o expandiu, o manteve, seus amores, família, tudo sob sua ótica ou de alguém muito próximo. Mas Massie estranhamente escreveu um romance sobre Carlos Magno em que ele é personagem coadjuvante.
Durante mais de 100 páginas conhecemos a história de personagens secundários, ou não tanto, como é o caso de Rolando-Orlando sobrinho do imperador e seu herói de guerra. E outros menos importantes como Benine, protetor de Rolando, Milan, seu pai, Ganelon. Tudo bem, que a história deveria ter uma ambientação, no entanto, com o roteiro que a história tem termina-se o livro sem saber mais de Carlos Magno do que se sabia ao iniciar a leitura. Seria mais justo com o leitor que esse fosse um romance sobre o herói da Idade Média cantando em poemas e trovas Rolando-Orlando. Já que são seus pais, seu nascimento, juventude, torneios, guerras, amor e conquistas que vemos narrados no livro.
Entretanto, nem mesmo por Rolando temos simpatia sendo considerado tolo, e no final, genioso e destemperado pelo próprio narrador.
No mais, a narrativa tem um estilo floreado com o qual também não simpatizei, sempre flertando com o mundo fantasioso de forma bem surreal ainda que para uma biografia romanceada. Seria como escrever sobre os faraós realmente os considerando deuses, sobre-humanos.
No entanto, confesso apesar de tudo levei a narrativa até o fim, pois há momentos interessantes na história. E considerações muito boas. Apesar de tudo, recomendo a leitura sem que se crie qualquer expectativa. 
Mas o livro tem suas partes interessantes e seus dizeres memoráveis.
“A verdade é que detesto tomar o caminho direto e adoro explorar os secundários. O viajante que se apega a rotas muito usadas e, com o olhar abaixado, apressa-se a chegar ao destino, recusando-se a permitir que seus olhos perambulem e seus pensamentos vaguem, a fim de não ser distraído, é sempre, na minha opinião, um bicho enfadonho, indigno da liberdade e do livre-arbítrio que lhe foi concedido por nosso Pai que está no céu.”

              

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Lição do dia



A decepção às vezes é doce. E eu digo isso porque em alguns momentos a melhor coisa que uma pessoa pode fazer por você é te decepcionar. Porque aí tudo fica incrivelmente mais fácil: esquecer, sobreviver, enfim.

É um presente amargo ver alguém de quem você gosta e tem em alta estima escorregar naquilo que você considera nobre. Mas é a vida, e o preço que a gente paga por votar dignas intenções, atitudes, e caráter a quem não tem a capacidade de ser verdadeiro
.
“Uma coisa que eu aprendi na vida; Deus não te tira as coisas, Ele te livra delas.”

Lição do dia, para todos os dias. 

sábado, 30 de março de 2013

O que li: A Cabana


               

Acabei de ler A Cabana. O livro é bonito. E havia momentos, em que eu sinceramente não conseguia acompanhar o desenrolar dos pensamentos dos personagens “divinos”. Quando Papai, Sarayu ou Jesus começavam a explicar coisas sobre a origem do bem, do mal, a não existência de hierarquia entre eles, a conversa sempre chegava a um momento em que o “abstratismo” era complexo demais pra mim. E acho que essa é a proposta do livro, afinal, Deus não deve ter respostas fáceis as nossas perguntas, que também não costumam ser das mais simples. E, a minha falta de religiosidade institucionalizada contribuía para um desconhecimento dos conceitos básicos.

Contudo apesar dessas linhas soltas o livro é muito bom. O único ponto que de fato me incomodou foi quanto à oposição de Deus a nossa busca por independência. Mas isso é algo que descende do meu posicionamento religioso e filosófico. Não cabem muitas discussões.

No entanto, independentemente disso, A Cabana é um livro para se ler com a alma, pois fala de um Deus bem melhor de se acreditar. Um Deus que não nos quer seguindo mandamentos, nos julgando melhor que os outros, apontando os erros. Um Deus bem humorado. Dois outros pontos do livro que eu destaco como encantadores: o primeiro é que eu entendi muito mais a “Santíssima Trindade” dentro do que é apresentado pelo livro, antes sempre vi uma hierarquia entre eles em que Espírito Santo e Deus ficavam disputando o primeiro lugar. Em segundo, é o perdão. “Quando você perdoa alguém, certamente liberta essa pessoa do julgamento, mas, se não houver uma verdadeira mudança, não pode ser estabelecido nenhum relacionamento verdadeiro.” Pra mim esse foi um achado. Nunca fui das pessoas mais religiosas, e talvez por isso perdão sempre tenha se relacionado com o desleixo com a dor do “perdoante”, como se aquele indivíduo tivesse que esquecer o que quer que lhe tenham feito (e às vezes isso num é pouca coisa), e devesse abrir seu melhor sorriso, sua casa, sua vida aquele que perdoou. Mas como diz Papai, é a mudança de atitude que cria um relacionamento, o perdão apenas liberta as partes de um atado de dor, vingança, ressentimentos. 

quarta-feira, 27 de março de 2013

Solitária

Eu sempre afirmei isso com plena convicção, porque é aquilo em que eu realmente acredito.
Existem coisas que estão além do nosso controle, da ação da nossa vontade.
E acho que o Amor, e tudo em que em nome dele se constrói, é uma dessas coisas por excelência. 
Como você decide ser feliz no amor?
Apenas acorda com essa ideia na cabeça e saí em busca disso?
Como assim?
Como saberá se a sorte vai te sorrir trazendo o que lhe é certo, verdadeiro?
As vezes, seja lá pelo que for, eu penso no amanhã, no futuro, mesmo tendo certeza da arrogância e perda de tempo que é nos preocuparmos com algo que está completamente fora do nosso alcance, eu sofro.
Sofro pensando se será meu destino ficar sozinha?
Como vai ser minha vida?
Sem ninguém com quem dividir expectativas, alegrias, tristezas, ninguém com quem contar e nem construir nada?

Alguém que me conheça mais profundamente, alguém que me aqueça nos momentos frios da vida.

Sei que ninguém sabe como será, mas sinto que minhas saídas estão sendo lacradas a cada dia que passa.
Talvez eu tenha sido tola ao rejeitar os planos a dois. Em achar que vencer obstáculos, conquistar independência era mais importante. Mas ao mesmo tempo me sinto em uma armadilha por pensar assim.

terça-feira, 26 de março de 2013

Ana & Grey


Estou no primeiro capítulo de Cinquenta Tons de Liberdade e acho que consegui chegar ao ápice da minha irritação.
Muito antes de ler o tão falado livro percebi duas opiniões conflitantes. A primeira taxavam Grey de ser um novo príncipe encantado, com a diferença de que o príncipe encantado no máximo beijava a princesa e Grey era capaz de provocar orgasmos e experiências enlouquecedoras em sua escolhida.
E de outro lado, muitos criticavam o livro por ser raso, não sustentar uma relação BDSM, e por abusar dos velhos chavões do ricaço que ganha uma garota a deslumbrando com seu dinheiro e poder.
E acho que acabei pendendo para o lado negativo dessas opiniões.
Resumindo: acho o livro mal escrito. Ninguém pode achar que descrever cenas de sexo picante, descrever seu galã como lindo, bilionário, poderoso, controlador, com olhos cinzas e sedutores, e com um humor extremamente vacilante, e sua mocinha como uma eterna patética, colocar toda a sorte de clichê dentro de uma história é escrever um livro.
A repetição, de acontecimentos, frases, situações pode até ser ignorada no primeiro livro, afinal ainda estamos nos acostumando com os personagens e tal, mas no segundo já é insuportável. Há ciclos na história, olhares, sexo, ciúmes, posse, olhares, sexo, blá, blá, blá. E no terceiro, fica ainda mais entediante. O ritmo da história cai imensamente. E seja porque no primeiro, mal ou bem há surpresas, (quem vai imaginar que uma garota virgem, e mais ainda, completamente inexperiente com sexo vá cogitar entrar em uma relação BDSM), mas do segundo livro em diante, quando miraculosamente Grey está completamente apaixonado, (além de irritantemente meloso), fica difícil se surpreender com a história.
Mas apesar disso tudo, o livro poderia ser tolerado. No entanto, nem isso essa história maluca consegue.
Desde o início me incomodou imensamente a situação de submissão como mulher da Anastácia. Como ela nunca chega a aceitar e assumir plenamente a situação de Submissa isso não é desculpa para a relação abusiva entre ela e Grey. E não justifica, principalmente, que a história o descreva, e muita gente concorde, que ele é um novo príncipe encantado. Afinal, ele é controlador. O tempo todo está ao redor dela, tomando decisões por ela, como se ela fosse uma acéfala. Só eu acho um absurdo ele comprar a empresa onde ela acabou de ser contratada por causa de sua necessidade de “protegê-la”? Sério! As mulheres estão realmente se dispondo a ficar com caras que as achem tão idiotas e indefesas que não podem sequer dar um passo sozinhas? Ciumento. Ciumento a ponto de ser sufocante. Presunçoso. E o pior de tudo, ele é assustador. Ela, que é impressionável além da conta, demonstra por muito tempo que tem medo das reações do amado. E é justificado, já que Cristian tem o pior humor do mundo. Ele fica irascível com qualquer detalhe, qualquer mínimo desagrado. Não são raros os momentos em que Anastácia se preocupa com o que Sr Grey irá pensar das coisas corriqueiras do mundo como o convite de um amigo para conversar, algum problema no escritório.
E para justificar cada uma de suas pequenas monstruosidades temos uma infância problemática, e a dificuldade de Grey lidar com os próprios sentimentos. Cristian, tem segundo a própria história a maturidade de um adolescente. Então se seu marido, namorado te destrata, te subestima, sempre haverá algo que justifique. Eu não gosto e nem concordo com isso.
No fundo acho que o problema do Cristian Grey é que ele acha que a Ana, assim como, os bilhões que ele tanto se gaba de ter, não passam de uma propriedade, talvez por isso ele tenha tanto prazer em dizer que ela é dele, por isso controlar as roupas que ela veste, com quem ela fala, quando, como, e até, o que ela come, e quando ela deverá comer, independente de ter fome ou não. E também é por isso que Grey a marca, no primeiro capítulo de 50 Tons de Liberdade, apenas para que ela não faça topless. E ao invés de verdadeiramente se revoltar contra isso nossa mocinha demonstra que é tão consistente quanto picolé ao sol e alguns segundos depois de uma ira infantil, pronto lá está ela e sua maldita deusa interior derretidinha por ele. É patético.
O que me assusta e impressiona é como mulheres de todo o mundo não percebem isso e endeusam o senhor Grey, sonham com momentos ao lado de um homem assim.
Mais que uma literatura ruim, Cinquenta Tons demonstra uma fase ruim da nossa sociedade, principalmente, no campo afetivo. Não é difícil a gente ver pessoas tratando as outras como objetos, exigindo obediência, exaltando a violência, a posse e o poder.
Quanto à papagaiada sexual, bem, isso cabe uma análise a parte.

O que li:Cinquenta Tons Mais Escuros




Esse segundo livro me decepcionou.
Por mais que como literatura eu já soubesse que o livro era fraco, achei que a história iria manter seu ritmo de acontecimentos, que era bom, mas aqui temos uma história muito mais lenta e previsível.
Mas comecei o lendo em busca de respostas para os “problemas” do Grey, o excesso de controle, o lance de ser tocado. E, principalmente, esperando uma reação da tonta da Anastácia. E me iludi. Logo no comecinho ela começa a questionar o direito dele de controlar a vida dela, (comprar a empresa em que ela trabalha? Sério?), de mandar nela, se ela nunca foi oficialmente sua submissa. Mas a cada fraco questionamento ou protesto da mocinha, Grey lança seus olhares cinzentos, usa seu charme já batido, e Ana se transforma em uma garota tola e idiota em suas mãos.
Na verdade eu já tinha percebido no primeiro livro que a história é extremamente repetitiva, a autora chega a usar várias, e várias vezes as mesmas frases, e no segundo livro você já está tão acostumada com isso que cansa.
Grey SEMPRE sedutor, tudo o que ele faz é excitante e Anastácia é uma máquina de sexo, SEMPRE pronta, como diz o próprio Grey. E apesar de dois grandes fatores externos movimentar a história, a velha falta de talento da escritora não consegue nos manter entretidos de uma forma convincente.
Além disso, Grey, o frio e poderoso empresário se tornar, em uns poucos capítulos, num romântico incurável, num bobo alegre é, simplesmente, viagem demais pra mim. Quanto às praticas sadomasoquistas a escritora varre isso para debaixo do tapete, ele da noite pro dia não quer mais saber daquilo, esquece, em nome do amor, passa de Dominador ao homem “normal”. O que coloca o masoquismo na esfera da doença, só pratica quem não ama de verdade, quem vive “fodas vazias”, o rebaixa a uma doença psíquica. O que não deveria ser o caso.
E Anastácia, sem justiça alguma, é alçada a heroína, pois “salva” o Grey da vida que tinha. Sei que não dá pra cobrar realismo nessa história, no entanto, não custava nada ter mais os pés no chão aqui. Ser Dominador era parte do que o Grey era e ele apenas deixa isso para trás? Sério?
E aquele recurso da Deusa Interior, que demonstra as variações de humor e vontade da Ana? Gente é ridículo. Você ver uma ou outra manifestação da tal deusa até vai, mas piruetas e caras e bocas da dita cuja a cada mísera interação Grey/Ana é confiar demais na nossa paciência.
Chegou um momento em que eu saturei. E a única coisa que faz querer ler Cinquenta Tons de Liberdade e saber o desfecho final da história, sou dessas que não gosta de deixar uma história em aberto, e a minha esperança é de que, em algum momento Ana deixe de ser a mulher tola e idiota que é.
No entanto, logo nas primeiras páginas do terceiro livro da trilogia já perdi as minhas esperanças.



O que li: Manuscrito encontrado em Accra



Mais um livro do Paulo Coelho.
Eu sempre fui fã do Paulo, e meu livro favorito de todos, inclusive, é uma produção dele.
O Alquimista é um livro que eu já li e reli algumas vezes, e sempre termino a leitura com a mesma sensação agradável.
O livro é simples, prosaico, eu diria. Conta a história de um pastor que tem um sonho repetido de que ele encontra um tesouro ao pé das pirâmides do Egito. A história toda gira em torno dessa busca pelo tesouro.
A conclusão é simples e o livro é cheio de moral.
Mas isso já faz mais de 20 anos e agora O Manuscrito soa extremamente repetitivo. Sei que cada autor tem seu estilo, mas o que sentimos é que Paulo tem uma fórmula, que já está batida, e não abre mão dela. É sempre a mesma coisa.
O livro seria a tradução de um texto encontrado no Egito, e que data de antes da invasão dos cruzados a Jerusalém. Copta que não chegava a ser um religioso cristão, então respondia a perguntas da população sobre diversos temas, amor, sexo, elegância, coragem, lutas.
As mensagens são bonitas, mas o livro é tão lugar comum, com sua sabedoria batida que é difícil se concentrar.

sábado, 2 de março de 2013

Lendas amorosas

Todo mundo conhece a história do cara mal casado. 
O tadinho do homem carente, honesto, romântico casado com uma mulher meio frígida, fria e distante da qual ele, seja por pena, comodismo, ou por causa dos filhos, não consegue se separar. 
Ele trai a mulher, mas não é culpa dele. Nunca! A culpa é da esposa que mesmo diante dos seus esforços para manter a união o maltrata com a indiferença. E, como sempre, este é o clássico dos clássicos, eles não fazem sexo, são como amigos. 

A história é velha na literatura da vida, mas pasmem ainda faz vítimas. 
Ainda há quem acredite que alguém jovem, sem filhos, num caso em particular, que afirma já ter realizado mil e uma peripécias românticas sendo constantemente rechaçado, mantenha um casamento apenas por pena.

E como alguém próxima me preocupo com todas as demais consequências clichês: esposa descobrindo o caso, ele se declarando para aquela que até outro dia era a vilã da história, barraco, falatório, enfim...

Mas quando alguém se dispõe a acreditar em todos esses lugares comuns, em toda essa baboseira, fica difícil demonstrar o óbvio.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

O estranho caso do 50 Sombras


Devo começar dizendo que o livro tem uma leitura fácil. No início cheguei a pensar que era isso que fazia com que, apesar da história ser risível e insólita, eu continuasse a devorar página por página. Já comecei até a ler o segundo, mas não, acho que há algo a mais que nos leva a devorá-lo.

Sim, a escrita do livro é ruim, a autora é fraca, repetitiva e não consegue dar força estrutural aos personagens. Não digo só porque ele é um lindo, bilionário que se apaixonada perdidamente por uma jovem comum, porque eu acho que toda história é possível dentro de um livro, mas o autor tem que ter a capacidade de construir uma trama que nos convença e isso James não consegue.

Dizer que o Mr. Grey é bonito, lindo, estonteante, insaciável, de humor vacilante e controlador, não é construir um personagem. A mocinha então. Sei que a ideia é demonstrar toda a inocência da mesma, mas tenha dó. 

Ao mesmo tempo acho que é justamente por estas lacunas que James nos deixa é que o livro ganha força. Nos preenchemos as lacunas de Grey com a nossa própria imaginação, com a nossa própria vontade, e isso o torna mais desejável. Além disso a escrita na primeira pessoa te aproxima de Anastásia. E mais uma coisa conta a favor da mocinha, todas nós em maior ou menor grau temos as nossas inseguranças, dúvidas e em alguns momentos você pensa, bem se eu encontra-se um bilionário, lindo e tão "Grey" eu também me sentiria assim, rola uma empatia.

E com um ou outro detalhe que te prende, apesar da história toda ser inacreditável, Grey e Ana vão nos levando pelos acontecimentos.

Por fim acho que a parte sexual também ajuda a nos prendermos um pouco na história. Primeiro porque é a visão feminina do sexo, ela descreve o sexo sensorial, coisa de cheiros, tatos e isso acaba sendo excitante. E é bem frequente, então quem curtiu tem bastante material. 

Achei a parte da relação BDSM pouco explorada, mas o que mais me incomodou no livro foi o uso da questão dominador e submissa pra justificar as piores coisas que um homem pode fazer num relacionamento. Sim este foi o ponto que em o livro é péssimo. 
Grey é ciumento, terrivelmente ciumento, tem ciúmes dos amigos e de qualquer homem que se aproxime dela. Ele é autoritário a trata como uma imbecil que precisa ser lembrada de comer, respirar. É sufocante, se irrita porque ela não respondeu um e-mail imediatamente, vai atrás dela mesmo sabendo que ela precisa de um espaço pra pensar, compra presentes que ele sabe que a incomodam. 

E este ponto me irrita porque a história acontece de tal forma que todas essas características horríveis são descritas como "qualidades", como se fosse o jeito dele "demonstrar os seus sentimentos". Mas a gente sabe que aqui no mundo real isso é perigoso e extremamente chato.
Mais do que insegurança ela tem um certo medo dele, das suas reações extremadas, do seu ciúme, isso não é um exemplo de relacionamento, isso é um exemplo de relacionamento doentio e pelo menos neste primeiro livro da trilogia isso não fica claro, não é levado em questão.

Leio 50 Tons de Cinza Mais Escuros em busca dessa conscientização da Anastásia, que ela deixe de ser tão deslumbrada, que Grey deixe de ser apenas bilionário-bonito-controlador, que seus traumas venham a tona, ou seja,que a história se explique.

Se não fosse esse lance do relacionamento doentio teria avaliado 50 Tons muito bem, quem disse que livros água com açúcar não são bons?