domingo, 29 de dezembro de 2013

Os Machucados


Me lembro que o livro Comprometida, da mesma autora de Comer Rezar Amar, citava uma pesquisa que comprovava que filhos de pais divorciados têm maior tendência a ter relacionamentos fracassados. Basicamente é a falta de um bom exemplo em casa no decorrer da vida que nos deixa despreparados para os eventuais conflitos de um relacionamento. 

Eu não tenho bons exemplos. Não tenho exemplo algum. Não sei lidar com os homens, não sei me comportar. Não sei me abrir... Enfim, poderia fazer uma lista infinita das coisas que eu não sei.

Eu estou apaixonada. Mas ao mesmo tempo apavorada. Tenho medo, muito medo porque pra mim é difícil olhar o futuro, pensar em futuro, me permitir pensar no futuro. 
É difícil acreditar que será simples, que dará certo. É difícil não imaginar que num futuro próximo seremos mais dois estranhos.

Hoje em dia entendo aquela fantasia das pessoas do amor que começa na juventude e vai até o fim da vida. Seria mais fácil. Não teríamos feridas antigas, algumas ainda abertas. Não teríamos tantos medos se fosse assim. 







domingo, 8 de dezembro de 2013

O que está na escuridão?

Quais são meus cinco maiores defeitos? 
Estava lendo Comprometida o chatinho livro da também autora de Comer Rezar Amar em que ela em sua odisseia para entender a instituição do casamento lista, para seu amado, seus cinco maiores defeitos. Aqueles elementos da sua personalidade que são obscuros e sensíveis em sua personalidade e dia a dia.


Não precisam ser um só ou nem cinco. Sou cheia de defeitos, que no fundo, acredito que não se sobrepõe as qualidades, mas talvez, em número, sim.
 Mas como listas são coisas fáceis de lidar, e organizam as ideias, segue assim:

1. O primeiro e mais pungente é: o egoísmo. Eu tento, me esforço, mas minha mente é assim: primeiro eu. Se, seja materialmente, no campo afetivo, ou espiritual, seja  o que for: se tiver em fartura, dá pra todo mundo, "dá e sobra?" ótimo, vamos dividir! Mas se tem pouco ou se só tem um, primeiro eu. Não adianta, por mais que me esforce só consigo pensar no outro depois que o meu está garantido. Isso é ruim. E feio.

2. Preguiça. Eu, claro, sou a maior vítima desse defeito. Sou preguiçosa num nível celular. Sou preguiçosa com meu futuro (fujo de desafios por preguiça), com pessoas (interação social? me cansa), sentimentalmente (o trabalho de satisfazer afetivamente alguém é maior do que a culpa de ver alguém carente do que posso oferecer. fim). Enfim, reclamo apenas como constatação deste defeito mór. A reclamação me deixa consciente, muitas vezes, do que eu quero/ queria mudar a minha vida, mas a preguiça, em geral, me impede de agir.

3. Sou desonesta afetivamente. Me lembro que no meu último "suicídio a dois" eu disse ao pobre rapaz que a chave para a felicidade (sabe é bem, mas bem pretensioso eu ser a pessoa que dá dicas de sucesso no relacionamento) era que fossemos sinceros um com o outro no que sentíamos, no que pensávamos. Mas sabe, eu não era. Eu não sou. E sequer sei como fazer isso. 
Se algo me dói ou incomoda, dificilmente me abrirei com alguém, provavelmente me afastarei ou usarei de artimanhas para que o outro sinta que estou dolorida sem nunca explicar a razão da dor. Cansativo. Extenuante. 

4. Sou pessimista. Em relação às pessoas. Sempre espero o pior das ações humanas, e sou do tipo que não acredita muito em conversões e mudanças radicais. E sou pessimista quanto ao futuro. Vejo as dificuldades com lente de aumento. 

5. Faço questão de guardar rancor.É mais do que ser rancorosa (que palavra horrível) é manter-se firme a esse sentimento, mesmo quando consigo entrever que seria melhor me libertar dele. Não esqueço, não quero esquecer, me apego a dor causada como um troféu. Muito, muito ruim.

Todo temos defeitos. Não sou a pior por pessoa do mundo. Poderia ser melhor se trocasse alguns desses defeitos por outros. Talvez alguns, sempre ver o lado ruim com lente de aumento faça dessa uma análise desonesta. 
Mas o que importa é a gente reconhecer o que temos de pior e melhor. Autoconhecimento, acredito, é um caminho para a felicidade. 


terça-feira, 3 de dezembro de 2013

O que eu li: Comer Rezar Amar - Elizabeth Gilbert


            Realmente criei grande simpatia pela Liz – Elizabeth Gilbert a autora e principal personagem do livro. Ao se descrever como uma pessoa falastrona e com grande facilidade de fazer amizades, e de comunicação seja com quem for, Liz nos dá uma pista do porquê apesar de cansativo, por um longo período, raso em muitas de suas colocações, eu levei este livro até o fim.
A história começa com uma americana de trinta e poucos anos e que está enfrentando um difícil divórcio. Desesperada Elizabeth pede ajuda a Deus, caí nos braços de um novo e canastrão namorado e no ápice de todo seu sofrimento ela resolve se “encontrar”. O problema da história, que sim é bem clichê, é que Liz é o tipo de pessoa que vê significados, conversão, espiritualidade e amor com muita facilidade e em coisas bem banais.
A viagem do “Eu” ( “I” – Itália – Índia – Indonésia) começa pela Itália. E tenho que dizer, se ela tivesse viajado pela Europa, pelo mundo que fosse. Se tivesse só viajado, bem, esse seria com certeza meu livro favorito de todo o sempre. Mesmo que seu enfoque na Itália não fosse o meu favorito, de fato ela é uma boa “mochileira”. Nesta parte da viagem Liz busca o prazer, e ela encontra o prazer na comida e aprendendo italiano. Eu sou apaixonada pela história antiga de Roma, então é claro que fico um pouco decepcionada com fato de que ela sequer chega perto de um templo, museu. Ainda assim, lê-la descrever pratos e mais pratos da deliciosa culinária italiana me encheu de “apetite”.
Logo depois a viagem segue a Índia e poderia ser uma viagem e tanto, mas Liz vai para um ashram. Nada contra a busca espiritual de ninguém, mas vê-la descrever infinitamente meditações, após meditações, luzes e suas epifanias torna o livro bem chato. Por pura determinação é que me mantive adiante na leitura.
Na Indonésia – Bali, a história tem seu desfecho, e percebemos o quanto ela é bem inocente com algumas coisas. Acredita em crendices, superstições, toda a sorte de histórias que nos contam como de fato verdadeiras. Tudo acontece ao seu tempo, e Liz conhece um brasileiro, se apaixona, e se não tem o “felizes para sempre” no fim, deveria.
Meu problema com a autora é exatamente este. Ela ama com muita facilidade, se converte com muita intensidade, é feliz para sempre com muita pressa. Me irritou o modo superficial como ela caracteriza todo mundo, todos os italianos são simpáticos, alegres, sexys. Todas as balinesas são bonitas. Todos os gurus são verdadeiros. Todas as brasileiras são “brasileiras” (seja lá o que esse estereótipo signifique).
Mas apesar de tudo, como uma leitura de uma tarde ensolarada ou num dia chuvoso este livro cumpre seu papel de entreter.