Quais são meus cinco maiores defeitos?
Estava lendo Comprometida o chatinho livro da também autora de Comer Rezar Amar em que ela em sua odisseia para entender a instituição do casamento lista, para seu amado, seus cinco maiores defeitos. Aqueles elementos da sua personalidade que são obscuros e sensíveis em sua personalidade e dia a dia.
Não precisam ser um só ou nem cinco. Sou cheia de defeitos, que no fundo, acredito que não se sobrepõe as qualidades, mas talvez, em número, sim.
Mas como listas são coisas fáceis de lidar, e organizam as ideias, segue assim:
1. O primeiro e mais pungente é: o egoísmo. Eu tento, me esforço, mas minha mente é assim: primeiro eu. Se, seja materialmente, no campo afetivo, ou espiritual, seja o que for: se tiver em fartura, dá pra todo mundo, "dá e sobra?" ótimo, vamos dividir! Mas se tem pouco ou se só tem um, primeiro eu. Não adianta, por mais que me esforce só consigo pensar no outro depois que o meu está garantido. Isso é ruim. E feio.
2. Preguiça. Eu, claro, sou a maior vítima desse defeito. Sou preguiçosa num nível celular. Sou preguiçosa com meu futuro (fujo de desafios por preguiça), com pessoas (interação social? me cansa), sentimentalmente (o trabalho de satisfazer afetivamente alguém é maior do que a culpa de ver alguém carente do que posso oferecer. fim). Enfim, reclamo apenas como constatação deste defeito mór. A reclamação me deixa consciente, muitas vezes, do que eu quero/ queria mudar a minha vida, mas a preguiça, em geral, me impede de agir.
3. Sou desonesta afetivamente. Me lembro que no meu último "suicídio a dois" eu disse ao pobre rapaz que a chave para a felicidade (sabe é bem, mas bem pretensioso eu ser a pessoa que dá dicas de sucesso no relacionamento) era que fossemos sinceros um com o outro no que sentíamos, no que pensávamos. Mas sabe, eu não era. Eu não sou. E sequer sei como fazer isso.
Se algo me dói ou incomoda, dificilmente me abrirei com alguém, provavelmente me afastarei ou usarei de artimanhas para que o outro sinta que estou dolorida sem nunca explicar a razão da dor. Cansativo. Extenuante.
4. Sou pessimista. Em relação às pessoas. Sempre espero o pior das ações humanas, e sou do tipo que não acredita muito em conversões e mudanças radicais. E sou pessimista quanto ao futuro. Vejo as dificuldades com lente de aumento.
5. Faço questão de guardar rancor.É mais do que ser rancorosa (que palavra horrível) é manter-se firme a esse sentimento, mesmo quando consigo entrever que seria melhor me libertar dele. Não esqueço, não quero esquecer, me apego a dor causada como um troféu. Muito, muito ruim.
Todo temos defeitos. Não sou a pior por pessoa do mundo. Poderia ser melhor se trocasse alguns desses defeitos por outros. Talvez alguns, sempre ver o lado ruim com lente de aumento faça dessa uma análise desonesta.
Mas o que importa é a gente reconhecer o que temos de pior e melhor. Autoconhecimento, acredito, é um caminho para a felicidade.