A segunda leitura da Jane Austen desse mês foi Orgulho e Preconceito. E este livro é meu favorito dela. Em relação a Razão e Sensibilidade (comentei num post anterior) tem uma escrita, uma história e uma crítica social muito mais ampla.
Reler um livro é uma coisa maravilhosa. Principalmente, quando essa releitura ocorre muitos anos depois. A gente passa a ver a histórias, os personagens de forma completamente diferente. E se eu me apaixonei pelo sr. Darcy anos atrás, hoje vejo com outros olhos o jeito soturno e orgulhoso dele.
Esse livro conta a história das srtas. Bennet, Jane, a mais velha, Elizabeth, Lydia, Kitty e Mary, mas diretamente é sobre Lizzy Bennet. Os Bennet possuem uma propriedade que, por questões jurídicas, não será herança das jovens ou da esposa. Pois deveria ser transmitida a um varão, por essa razão irá para as mãos do sr. Collins (um primo distante que elas nem sequer conheciam). Assim, após a morte do sr. Bennet elas ficarão sem lar ou uma renda considerável. A questão de ter bens, meios de sobreviver sem depender de um casamento retornam nesse livro como o mote central. E o que aconteceria com as srtas. Bennet se não se casassem? Esse é o xis da questão. o que por um lado "justifica" as atitudes impróprias da sra. Bennet que só pensa no casamento das filhas.
Quando chega o sr. Bingley com suas irmãs e especialmente com seu amigo, sr. Darcy, a sra. Bennet entra em rebuliço e aí começa toda a história.
Austen também critica as duras e surreais exigências feitas as mulheres. Afinal, elas deveriam saber tocar alguma coisa, cantar, falar línguas, ser elegantes, doces, gentis, ter uma vida irrepreensível. Não só a suas vidas, o tempo todo a Lizzy comenta sobre como as atitudes impensadas da mãe a envergonham, como podem ter um efeito definitivo na vida de toda uma família, principalmente das mulheres. Era uma sociedade que se voltava o tempo todo para regular o comportamento da mulher e em puni-la pelo mínimo deslize fosse da parte dela ou de outrem. Ainda vemos nos dias de hoje podemos perceber isso quando ainda afirmam que: é culpa da roupa da mulher o estupro; se dá no primeiro encontro é vadia, e por aí vai...
Sobre Darcy, ainda acho que ele encarna todo o charme de um mocinho. Bonito, rico, inteligente e, principalmente, não se deixa levar por qualquer mero encanto, além de claro demonstrar-se gentil e um grande benfeitor. Mas só agora consigo entender o tamanho do preconceito dele. Na minha primeira leitura não tinha entendido como ele a rejeita apenas por causa da família dela, da posição social e o tão pouco caso que ele faz das pessoas ao redor dele. Tudo bem que ele muda, também por ela. Mas o fato é que ele encarna o rico esnobe.
Como disse na resenha de Razão e Sensibilidade, gostaria de viver naquela época? Não. Gostaria de viver dentro das histórias da Jane Austen? Óbvio.












