terça-feira, 18 de abril de 2017

O que eu li: Orgulho e Preconceito - Jane Austen


A segunda leitura da Jane Austen desse mês foi Orgulho e Preconceito. E este livro é meu favorito dela. Em relação a Razão e Sensibilidade (comentei num post anterior) tem uma escrita, uma história e uma crítica social muito mais ampla.

Reler um livro é uma coisa maravilhosa. Principalmente, quando essa releitura ocorre muitos anos depois. A gente passa a ver a histórias, os personagens de forma completamente diferente. E se eu me apaixonei pelo sr. Darcy anos atrás, hoje vejo com outros olhos o jeito soturno e orgulhoso dele.

Esse livro conta a história das srtas. Bennet, Jane, a mais velha, Elizabeth, Lydia, Kitty e Mary, mas diretamente é sobre Lizzy Bennet. Os Bennet possuem uma propriedade que, por questões jurídicas, não será herança das jovens ou da esposa. Pois deveria ser transmitida a um varão, por essa razão irá para as mãos do sr. Collins (um primo distante que elas nem sequer conheciam). Assim, após a morte do sr. Bennet elas ficarão sem lar ou uma renda considerável. A questão de ter bens, meios de sobreviver sem depender de um casamento retornam nesse livro como o mote central. E o que aconteceria com as srtas. Bennet se não se casassem? Esse é o xis da questão. o que por um lado "justifica" as atitudes impróprias da sra. Bennet que só pensa no casamento das filhas.

Quando chega o sr. Bingley com suas irmãs e especialmente com seu amigo, sr. Darcy, a sra. Bennet entra em rebuliço e aí começa toda a história.

Austen também critica as duras e surreais exigências feitas as mulheres. Afinal, elas deveriam saber tocar alguma coisa, cantar, falar línguas, ser elegantes, doces, gentis, ter uma vida irrepreensível. Não só a suas vidas, o tempo todo a Lizzy comenta sobre como as atitudes impensadas da mãe a envergonham, como podem ter um efeito definitivo na vida de toda uma família, principalmente das mulheres. Era uma sociedade que se voltava o tempo todo para regular o comportamento da mulher e em puni-la pelo mínimo deslize fosse da parte dela ou de outrem. Ainda vemos nos dias de hoje podemos perceber isso quando ainda afirmam que: é culpa da roupa da mulher o estupro; se dá no primeiro encontro é vadia, e por aí vai...

Sobre Darcy, ainda acho que ele encarna todo o charme de um mocinho. Bonito, rico, inteligente e, principalmente, não se deixa levar por qualquer mero encanto, além de claro demonstrar-se gentil e um grande benfeitor. Mas só agora consigo entender o tamanho do preconceito dele. Na minha primeira leitura não tinha entendido como ele a rejeita apenas por causa da família dela, da posição social e o tão pouco caso que ele faz das pessoas ao redor dele. Tudo bem que ele muda, também por ela. Mas o fato é que ele encarna o rico esnobe.

Como disse na resenha de Razão e Sensibilidade, gostaria de viver naquela época? Não. Gostaria de viver dentro das histórias da Jane Austen? Óbvio.

segunda-feira, 10 de abril de 2017

O que eu li: Razão e Sensibilidade - Jane Austen



Segundo fontes (Wikipédia, desculpe), Jane já tinha alguns escritos, mas Razão e Sensibilidade foi um dos primeiros romances, o que claramente podemos perceber pelo enredo da história, desenvolvimento e como ela finaliza. Algumas partes importantes são apenas citadas. Ainda assim, já vou avisando: que apesar dos problemas, sim, eu amei este livro. Mas em riqueza de história ainda prefiro Orgulho e Preconceito. Mr. Darcy não ser facilmente superado pelo indeciso e soturno Edward. Apesar daquele ser uma versão melhorada desse. 
Mas ainda sim devo dizer que, como sempre, fui sugada pelo livro e tinha partes que não consegui parar de ler. O que dizer de quando Elinor ouve a confissão da srta. Steele? Eu apenas queria devorar o livro. E essa é uma das mais cativantes características da leitura de Jane Austen. Primeiro a narrativa é como uma conversa, direta e rica e com um ritmo vertiginoso. Depois que você embala nesse vendaval a vontade é não largar mais o livro. 



Além disso as principais personagens são sempre um pedacinho de nós, críticas, inteligentes e observadoras, vivendo em um tempo em que para a mulher reservava-se o mesmo espaço que cabiam aos quadros, pianos-forte, mobília e jardins. Afinal, serviam para embelezar, agradar, entreter, conquistar, e só. Elas não viviam por si mesmas, estavam sempre em função do outro, fosse ele pai, enamorado, marido, filho...

Nessa história, para quem não leu (sendo que pra quem não leu eu não recomendo a leitura dessa resenha), temos a história de Elinor e Marianne, as srtas. Dashwood, e as peripécias que passam na vida depois que o pai falece e elas ficam sem bens e, praticamente, sem renda. Por essa razão, mudam de casa e conquistam novos amigos e vida. Mas Elinor leva consigo o amor a Edward e o uso da racionalidade. Enquanto Marianne, na nova casa, dá vazão a todos os vivos e intensos sentimentos que carrega. E cada uma a seu jeito vai enfrentar os dessabores do amor e são recompensadas na medida de suas resiliências. 
Elinor e Marianne são opostos. Então, se a primeira, é racional, discreta. Marianne é, como a mãe, uma romântica, apaixonada por se apaixonar e sentir, tudo tem que ser intenso. Li que através das características e vivências de cada personagem, Austen faz uma crítica ao romantismo que pregava esses rompantes sentimentais que em diversos momentos ignoravam a lógica e faziam da mulher, sempre o lado mais fraco da História, a maior vítima. 



Além disso, uma crítica social extremamente válida de Austen é quanto aos parcos direitos reservados às mulheres na sociedade da época. Assim como, viria a acontecer em Orgulho e Preconceito, a propriedade em que as Dashwood vivem não lhes cabe. Então, uma mãe, viúva, com várias filhas, pouca renda, em uma sociedade em que a mulher não é "autorizada" a trabalhar, tem que buscar sobreviver e "manter as aparências". O mesmo ocorre quanto a sua inteligência. A mulher deveria ser inteligente o suficiente para saber música, línguas modernas, bordar, costurar, desenhar, tocar piano e cantar lindamente. E a maioria desses "talentos" confirmam o que eu disse antes, sua função era entreter os demais. Não a autossuficiência da mulher, sua independência. 
Claro, por mais "sensível" que seja a sra. Dashwood a prefiro do que à que sra. Bennet. Já que aquela não tem o espírito casadoiro que tem esta. No entanto, está claro para todos que somente pelo casamento conseguirão essas jovens sobreviver. Com um irmão e cunhada sovinos, como sobreviveriam, com o mínimo conforto, as três senhoritas Dashwood se nenhuma delas se casasse? Acho essa perspectiva desoladora. 

Então, por mais encantadores que sejam as histórias da Jane, seus mocinhos e a chance de se imaginar no lugar de suas mocinhas com belos vestidos e paisagem eu não gostaria de viver naquela época. No máximo, nas histórias da Jane. 

quarta-feira, 30 de março de 2016

Cansada




Eu estou tão cansada que eu queria congelar o tempo. Fazer igual
aqueles desenhos de super herói em que eles congelam o tempo/realidade

e você fica lá transitando enquanto a água da torneira fica num eterno
caí num caí, o olho semi-piscado de alguém, o suspiro entalado, nem
ligo. Ia deitar e dormir até o sono acabar, e quando acabasse ia ficar
na cama até o corpo doer. Ia tomar café até me empazinar e deitar mais
um pouco pra descansar. Arrumar minha estante de livros, tirar a
poeira e folheá-los lembrando dos detalhes esquecidos, piadas,
melhores cenas. Tirar, enfim, as receitas dos papéis soltos e
colocá-las no caderninho próprio delas, quem sabe separar alguma para
o almoço. Arrumar o resto da estante, experimentar aquela sombra
exótica que sempre fico curiosa e com medo de arriscar na correria
pré-balada. Arrumar as bolsas, conferir seus bolsos, chupar as balas
velhas, guardar os cartõezinhos, os comprovantes de compra: “Meu Deus
o carnezinho que terminou em 2010 ainda está aqui!”. Por fim, mexer
nas minhas caixas, redescobrir CDs velhos e dançar músicas velhas,
dançar, suar, cansar e dormir mais um pouco. Acordar, arrumar a
bagunça, jogar fora o que não faz mais o coração palpitar. Fazer meu
almoço, cortar pequenininhas as cebolas, enrolar vagarosamente o
macarrão no garfo, beber algo gelado e gostoso. Isso cansa, quero
dormir de novo. Acordar, ver TV, cansar, arrumar o guarda-roupa. Rir
das roupas que eu adorava e agora me pergunto como pude andar com
isso. Chorar pelas que não cabem mais. Ver TV. Arrumar a casa, cada
cômodo, me deliciar. Limpar, expurgar o desnecessário da casa e de
mim. Olhar para o nada, não só olhar, ver, enxergar, pensar o nada,
até cansar. E talvez, mesmo sem querer eu começasse a questionar
quanto tempo se passou? Impossível saber, o relógio não acusa. Será
muito tempo? Quem sabe. Tempo demais para quem congelou na agonia da
dor, da morte? Tempo demais para a primeira troca oxicarbônica do
serzinho? Tempo demais para quase ser atropelado? Mas não tempo demais
para o primeira troca de olhares apaixonados. Pode se tempo demais
para quem vê vindo em sua direção a certeira bala, mas não tempo
demais para aquele que aperta o gatilho. Um pouco mais de nada, de
silêncio e solidão. Um suspiro fundo de quem se prepara para o golpe e
as comportas da vida são abertas novamente. 
Vida que segue.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

O que eu li: Belo Desastre - Jamie McGuire



O livro é bem escrito. McGuire tem uma escrita leve e dinâmica e ao contrário da LS James que é sofrível aqui a história agarra a gente e não solta. E olha que eu nem gostei muito do casal.
Eu li Bela Distração e depois Belo Desastre. E gostei muito mais do Trenton do que do Travis. Apesar do Trenton ser meio bobinho, falso bad boy,  ele é mais maduro do que o irmão.
  Travis é infantil, temperamental, violento, imprevisível e meloso e eu ficaria bem assustada por ter um cara assim “apaixonado” por mim.
Tudo começa quando Travis conhece Abby que é a melhor amiga da namorada do seu primo. O engraçado é que eles, os primos, moram juntos, e América e Sheppley parecem namorar já há algum tempo, e ela e a Abby são melhores amigas e não se desgrudam, mas o Travis não a conhecia.
Ele logo fica encantadinho pela Abby, mas ela tenta “desistimulá-lo” um pouco assustada pela fama de pegador dele. Travis é descrito como o bad-boy. Ele luta pra ganhar dinheiro para se manter na faculdade, é o cara malzão do qual todos na faculdade têm medo, arruma confusão por qualquer coisa, ganha todas as lutas e não tem medo de nada. Enfim, surreal como qualquer mocinho. A Abby é menos patética do que as outras mocinhas , mas não consegui ter simpatia por ela. Achei fantasioso o passado dela, e me irritou essa coisa de não quero ele, ele não é bom pra mim, blá, blá, blá, mas ela aceita uma aposta em que se perder terá que ficar um mês na casa dele, (no decorrer da história quando descobrimos que ela tem fama de ser  super sortuda, logo, ela quis ir pra casa dele).  Daí eles entram naquele espiral de se apaixonar, não aceitar, curtir, se separar por qualquer bobagem, voltar, chorar...
Até então, bem esse é um romance e não dá pra exigir coerência, e sensatez o tempo todo. Mas o que me assustou foram algumas ações do Travis machistas e estúpidas descritas só como o velho “ele é assim mesmo”. Ela “foge” da casa dele depois deles fazerem amor, assustada com tudo que aquilo significa e ele? Quebra a casa toda, vai atrás dela, se ajoelha na cama e a abraça implorando perdão ou sei lá o quê.  Gente quando li isso achei inacreditável.
Além disso, achei bem machista esse lance de ele atrair mulheres as pencas, todas loucas por um compromisso, transar com elas no sofá (por não achar elas dignas para levá-las para cama), que bosta de cara meu.
Dizem que no outro livro a gente entende de porque do apelido Beija-flor (cafona), e daquela presepada em Las Vegas. E, por ter gostado do geral das histórias sobre os Maddox (além de adorar esses livros sequenciais em que uma história se entrelaça a outra), estou curiosíssima com a história do Thomas.

Ps.: só eu achei esquisito que no livro Bela Distração Trenton diz que não sabia do Travis depois do incêndio e em Delo Desastre eles se veem antes de ir para Las Vegas. Furo da autora.

Ps²: Vejo as fotos da galera imaginando o Travis e acho que tem cara de garoto (na história eles são jovens), o que eu mais gostei foi esse:






sexta-feira, 8 de maio de 2015

O que eu li: A esperança tem muitas faces - Lucília Junqueira de Almeida Prado

E a esperança virou decepção.

O romance de Gian e Lívia desabrocha durante o período da Segunda Guerra. E os efeitos da guerra, o momento político vivido pelo Brasil e pelo mundo, são o plano de fundo para este casalzinho maçante.  

O livro tem uma base histórica muito interessante. E me deu mais vontade de conhecer os detalhes da campanha do Brasil na Segunda Guerra. O enfoque é a alta sociedade paulistana e durante alguns momentos eu quis saber de um panorama mais realista e geral, não tão focado em um pequeno grupinho de playboys. Que era o que a turma de Gian e Lívia eram. E essa é uma curiosidade que a história conseguiu despertar.

Mas o casal, o romance, foram extremamente decepcionantes. Se em romances mais água com açúcar é comum a gente ter certa implicância com a mocinha, nessa o rapazinho era tão insuportável, que apesar do Lívia ser terrivelmente endeusada e surreal ele ganhou mais eficientemente minha antipatia.

Gian é machista (tudo bem aqueles eram outros tempo), imaturo, e o pior é que com todos esses defeitos ele é pintado como o homem dos sonhos.
Lívia faz todos os homens se apaixonarem por ela, é sempre a mais elegante, a mais esperta, a mais bondosa e blá, blá, blá. Difícil mesmo saber como as amigas aguentam.
Enfim, nem a narrativa anima a gente. Numa tentativa de fazer algo romanceado e idílico o texto soa bem falso e floreado. Alguns personagens secundários, como Lorenza, de fato, poderiam ser mais bem explorados.


E a situação vivida por Guto, Rôni e seu pai poderia ser explorada de uma forma diferente. E não do modo como foi em que acabou confirmando a visão destorcida e preconceituosa da época.  


sábado, 25 de abril de 2015

O que eu li: A Ferro e Flores - Lygia Barbiéri Amaral



Durante a leitura muitas pessoas elogiaram o livro. E de fato, esta não foi uma leitura ruim. O grande problema da história é o amarrar dos fatos.
Na história temos a explicação espírita para os malefícios causados pelo álcool.

Tudo começa com o acidente de Ana Patrícia e Ana Teresa. O namorado de Ana Teresa, Caian, bebe e insiste em dirigir. Ana Patrícia e o amigo/namorado, Pedro, também entram no carro, mas com a ideia de impedir que algo pior aconteça.
O meio como os jovens se adaptam, a culpa, a dor, as dificuldades e os diferentes caminhos que encontram para tirar uma lição do acontecido e crescerem espiritualmente é a lição do livro.

Paralelamente, temos a história de Hermínio, pai de Thalita, que tem uma neuropatia gerada pelo consumo excessivo da bebida. O convívio com um alcoólatra em tratamento e em como se exige paciência, abnegação, e amor da família durante todo o processo também é outra faceta da história.

É claro que por ser uma romance espírita há toda uma história do além, obsessores, rixas de outras vidas que criam um enredo paralelo e explicam muita coisa.
O que me incomodou foi que há várias falhas na trama. Principalmente no final da história, muitos personagens se contradizem para fazer as coisas acontecerem. Além disso, a forma simplória como tudo se resolve tira a força da luta das pessoas reais que lidam com o problema do alcoolismo.

E, por fim, apesar de eu não ser grande conhecedora da doutrina espírita há várias falhas no que a doutrina prega e o que acontece no livro. Sei que este não é um livro psicografado, nem nada assim, mas essa visão romântica do Espiritismo leva a incorreções que se propagam e não beneficiam. 
Ainda assim, a importante mensagem de que é necessário amor, dedicação, carinho e muita compreensão para os familiares de pessoas envolvidas com álcool e demais drogas é passada com maestria. 

quarta-feira, 15 de abril de 2015

O que eu li: Não se apega, não - Isabela de Freitas


Eu estava louca para ler esse livro. Não sei o que eu esperava com esse título, mas talvez uma história com ar menos adolescente.

Isabela termina um namoro de 2 anos com um cara (namoro este não muito feliz) e aí começa a jornada do livro. Naquele momento em que a gente toma uma decisão errada (no caso não foi nem terminar, mas por que durou tanto tempo) e por isso tenta descobrir o que levou a isso.
Ela descobre que sempre busca "o cara", o tal príncipe encantado, em qualquer um que apareça na sua frente, que não consegue ficar sozinha. E em razão disso muitas vezes se vê no meio de um turbilhão.

Isabela tem as fraquezas, expectativas e se ilude como muitas de nós. Quem não gostaria de um romance bem no estilo comédia romântica em que o cara tem tudo para ser o mais errado e  a gente descobre que é o homem da nossa vida? Mas vai saber Deus não é da escola hollywoodiana de roteiros, então a vida, a realidade, nem sempre (quase sempre - diriam os mais ajuizados) é aquele conto de fadas.

Mas todo o drama da autora fica parecendo historinha da Capricho e isso me incomodou um pouco. Entretanto, a leitura é boa e divertida (no geral). Mesmo com frases feitas quem nunca precisou se relembrar de algumas velhas verdades....