Sempre gostei de biografias, principalmente, de personagens
da história antiga. Alexandre Magno, Júlio César, Cleópatra, Marco Antônio e
muitos outros. E também gosto de romances históricos. Afinal, é bom ver aquele
personagem admirado por grandes feitos sair do olhar frio de um
historiador-pesquisador e ganhar vida, desejos, emoções, pensamentos pelas mãos
de um bom romancista-historiador. Isso preenche aquela lacuna entre o grande
feito, entre o herói cantado por poetas e trovadores e o verdadeiro ser humano
capaz de vencer seus medos e dúvidas e ser grande em atitudes e feitos.
Já li, inclusive, outros livros de Allan Massie dos quais eu
gostei. Mas Carlos Magno: A vida do Imperador do Império Romano não está entre
os melhores livros do autor.
O primeiro ponto da obra que me incomodou foi o fato de que
o título não corresponde ao livro. A ideia, creio eu, de qualquer pessoa que
pegue este livro para ler é saber um pouco do império franco através da trajetória
de seu líder. Como Carlos chegou ao poder, ou como o expandiu, o manteve, seus
amores, família, tudo sob sua ótica ou de alguém muito próximo. Mas Massie
estranhamente escreveu um romance sobre Carlos Magno em que ele é personagem
coadjuvante.
Durante mais de 100 páginas conhecemos a história de personagens
secundários, ou não tanto, como é o caso de Rolando-Orlando sobrinho do
imperador e seu herói de guerra. E outros menos importantes como Benine,
protetor de Rolando, Milan, seu pai, Ganelon. Tudo bem, que a história deveria
ter uma ambientação, no entanto, com o roteiro que a história tem termina-se o
livro sem saber mais de Carlos Magno do que se sabia ao iniciar a leitura.
Seria mais justo com o leitor que esse fosse um romance sobre o herói da Idade
Média cantando em poemas e trovas Rolando-Orlando. Já que são seus pais, seu
nascimento, juventude, torneios, guerras, amor e conquistas que vemos narrados
no livro.
Entretanto, nem mesmo por Rolando temos simpatia sendo considerado
tolo, e no final, genioso e destemperado pelo próprio narrador.
No mais, a narrativa tem um estilo floreado com o qual
também não simpatizei, sempre flertando com o mundo fantasioso de forma bem
surreal ainda que para uma biografia romanceada. Seria como escrever sobre os
faraós realmente os considerando deuses, sobre-humanos.
No entanto, confesso apesar de tudo levei a narrativa até o
fim, pois há momentos interessantes na história. E considerações muito boas. Apesar
de tudo, recomendo a leitura sem que se crie qualquer expectativa.
Mas o livro tem suas partes interessantes e seus dizeres
memoráveis.
“A verdade é que detesto tomar o caminho direto e adoro explorar os secundários. O viajante que se apega a rotas muito usadas e, com o olhar abaixado, apressa-se a chegar ao destino, recusando-se a permitir que seus olhos perambulem e seus pensamentos vaguem, a fim de não ser distraído, é sempre, na minha opinião, um bicho enfadonho, indigno da liberdade e do livre-arbítrio que lhe foi concedido por nosso Pai que está no céu.”


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