segunda-feira, 10 de abril de 2017

O que eu li: Razão e Sensibilidade - Jane Austen



Segundo fontes (Wikipédia, desculpe), Jane já tinha alguns escritos, mas Razão e Sensibilidade foi um dos primeiros romances, o que claramente podemos perceber pelo enredo da história, desenvolvimento e como ela finaliza. Algumas partes importantes são apenas citadas. Ainda assim, já vou avisando: que apesar dos problemas, sim, eu amei este livro. Mas em riqueza de história ainda prefiro Orgulho e Preconceito. Mr. Darcy não ser facilmente superado pelo indeciso e soturno Edward. Apesar daquele ser uma versão melhorada desse. 
Mas ainda sim devo dizer que, como sempre, fui sugada pelo livro e tinha partes que não consegui parar de ler. O que dizer de quando Elinor ouve a confissão da srta. Steele? Eu apenas queria devorar o livro. E essa é uma das mais cativantes características da leitura de Jane Austen. Primeiro a narrativa é como uma conversa, direta e rica e com um ritmo vertiginoso. Depois que você embala nesse vendaval a vontade é não largar mais o livro. 



Além disso as principais personagens são sempre um pedacinho de nós, críticas, inteligentes e observadoras, vivendo em um tempo em que para a mulher reservava-se o mesmo espaço que cabiam aos quadros, pianos-forte, mobília e jardins. Afinal, serviam para embelezar, agradar, entreter, conquistar, e só. Elas não viviam por si mesmas, estavam sempre em função do outro, fosse ele pai, enamorado, marido, filho...

Nessa história, para quem não leu (sendo que pra quem não leu eu não recomendo a leitura dessa resenha), temos a história de Elinor e Marianne, as srtas. Dashwood, e as peripécias que passam na vida depois que o pai falece e elas ficam sem bens e, praticamente, sem renda. Por essa razão, mudam de casa e conquistam novos amigos e vida. Mas Elinor leva consigo o amor a Edward e o uso da racionalidade. Enquanto Marianne, na nova casa, dá vazão a todos os vivos e intensos sentimentos que carrega. E cada uma a seu jeito vai enfrentar os dessabores do amor e são recompensadas na medida de suas resiliências. 
Elinor e Marianne são opostos. Então, se a primeira, é racional, discreta. Marianne é, como a mãe, uma romântica, apaixonada por se apaixonar e sentir, tudo tem que ser intenso. Li que através das características e vivências de cada personagem, Austen faz uma crítica ao romantismo que pregava esses rompantes sentimentais que em diversos momentos ignoravam a lógica e faziam da mulher, sempre o lado mais fraco da História, a maior vítima. 



Além disso, uma crítica social extremamente válida de Austen é quanto aos parcos direitos reservados às mulheres na sociedade da época. Assim como, viria a acontecer em Orgulho e Preconceito, a propriedade em que as Dashwood vivem não lhes cabe. Então, uma mãe, viúva, com várias filhas, pouca renda, em uma sociedade em que a mulher não é "autorizada" a trabalhar, tem que buscar sobreviver e "manter as aparências". O mesmo ocorre quanto a sua inteligência. A mulher deveria ser inteligente o suficiente para saber música, línguas modernas, bordar, costurar, desenhar, tocar piano e cantar lindamente. E a maioria desses "talentos" confirmam o que eu disse antes, sua função era entreter os demais. Não a autossuficiência da mulher, sua independência. 
Claro, por mais "sensível" que seja a sra. Dashwood a prefiro do que à que sra. Bennet. Já que aquela não tem o espírito casadoiro que tem esta. No entanto, está claro para todos que somente pelo casamento conseguirão essas jovens sobreviver. Com um irmão e cunhada sovinos, como sobreviveriam, com o mínimo conforto, as três senhoritas Dashwood se nenhuma delas se casasse? Acho essa perspectiva desoladora. 

Então, por mais encantadores que sejam as histórias da Jane, seus mocinhos e a chance de se imaginar no lugar de suas mocinhas com belos vestidos e paisagem eu não gostaria de viver naquela época. No máximo, nas histórias da Jane. 

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