sexta-feira, 8 de maio de 2015

O que eu li: A esperança tem muitas faces - Lucília Junqueira de Almeida Prado

E a esperança virou decepção.

O romance de Gian e Lívia desabrocha durante o período da Segunda Guerra. E os efeitos da guerra, o momento político vivido pelo Brasil e pelo mundo, são o plano de fundo para este casalzinho maçante.  

O livro tem uma base histórica muito interessante. E me deu mais vontade de conhecer os detalhes da campanha do Brasil na Segunda Guerra. O enfoque é a alta sociedade paulistana e durante alguns momentos eu quis saber de um panorama mais realista e geral, não tão focado em um pequeno grupinho de playboys. Que era o que a turma de Gian e Lívia eram. E essa é uma curiosidade que a história conseguiu despertar.

Mas o casal, o romance, foram extremamente decepcionantes. Se em romances mais água com açúcar é comum a gente ter certa implicância com a mocinha, nessa o rapazinho era tão insuportável, que apesar do Lívia ser terrivelmente endeusada e surreal ele ganhou mais eficientemente minha antipatia.

Gian é machista (tudo bem aqueles eram outros tempo), imaturo, e o pior é que com todos esses defeitos ele é pintado como o homem dos sonhos.
Lívia faz todos os homens se apaixonarem por ela, é sempre a mais elegante, a mais esperta, a mais bondosa e blá, blá, blá. Difícil mesmo saber como as amigas aguentam.
Enfim, nem a narrativa anima a gente. Numa tentativa de fazer algo romanceado e idílico o texto soa bem falso e floreado. Alguns personagens secundários, como Lorenza, de fato, poderiam ser mais bem explorados.


E a situação vivida por Guto, Rôni e seu pai poderia ser explorada de uma forma diferente. E não do modo como foi em que acabou confirmando a visão destorcida e preconceituosa da época.  


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