Eu estou cansada. E é incrível como eu preciso de alguém que entenda como eu estou me sentindo agora. Como eu preciso de alguém que me apoie agora.
Uma vez li uma reportagem que dizia que duas pessoas uma com uma visão positiva e outra negativa da vida, independentemente do que lhes acontecesse continuariam a ser essencialmente do mesmo jeito. Por exemplo, imagine, e este era o exemplo dado pela revista, que a positiva perdesse o movimento das pernas e soubesse que iria passar o resto da vida presa a uma cadeira de rodas, e que a negativista, ganhasse na Mega-Sena. Seis meses depois estas duas pessoas ainda seriam positivas, ainda que sabendo que sua vida não seria, mais a mesma, e a negativa, pessimista com os pequenos contratempos da sua milionária vida.
E claro que há uma imensa margem de erro, causada principalmente, pelas pessoas que realmente passam por situações que as levam a mudar sua visão de vida, mas acho que apesar de todo o terror que eu tenho vivido, isso não aconteceu comigo. Infelizmente, já me adianto a dizer.
Minha mãe é meu bem mais precioso. E possui múltiplos papéis na minha vida que pode perceber por qualquer um que conviva minimamente comigo. Eu me sinto egoisticamente cansada, exausta. Sei que isso é difícil de entender por uma pessoa normal com um pouco que seja de coração, de humanidade e de olhar para o próximo, mas é assim que me sinto. Vejo a reprovação nos olhos alheios, nos olhos daqueles que não sentem os músculos sempre retesados, endurecidos pelos sustos diários. Sinto olhares condenadores por quem viu minhas lágrimas no momento de maior desespero, e fico imaginando que eles devem se questionar se haviam verdades naquelas lágrimas.
Alguém já mais calejado acostumado a noites mal dormidas por dias em uma enfermaria, a rotina de médicos, prognósticos, exames, pedidos, alguém que já teve a responsabilidade de manter a fisionomia calma enquanto sua mente dispara a mil por hora no futuro desesperador, sabe o tipo de cansaço estou sentido. Mas este é momento em que eu me sinto envergonhada. Em apenas um mês? Tanto sofrimento e dor, em apenas um mês?
Não é que eu não a ame, não vejo a mínima necessidade de provar, ou argumentar para provar que sim. Não é que a vontade de revirar o mundo, mas encontrar uma solução, uma saída, uma cura, um enfim superado, tenha se esvaído. Não!
Mas nada disso anula a mente leve, que sonha com uma viagem, sem celular, para bem longe, que sonha ter como compromisso do dia, acordar, sorrir, ir à academia, namorar no jardim, fofocar com as amigas... Uma vida que parece que não volta.



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