Contudo
apesar dessas linhas soltas o livro é muito bom. O único ponto que de fato me
incomodou foi quanto à oposição de Deus a nossa busca por independência. Mas
isso é algo que descende do meu posicionamento religioso e filosófico. Não cabem
muitas discussões.
No
entanto, independentemente disso, A Cabana é um livro para se ler com a alma,
pois fala de um Deus bem melhor de se acreditar. Um Deus que não nos quer
seguindo mandamentos, nos julgando melhor que os outros, apontando os erros. Um
Deus bem humorado. Dois outros pontos do livro que eu destaco como encantadores:
o primeiro é que eu entendi muito mais a “Santíssima Trindade” dentro do que é
apresentado pelo livro, antes sempre vi uma hierarquia entre eles em que
Espírito Santo e Deus ficavam disputando o primeiro lugar. Em segundo, é o
perdão. “Quando você perdoa alguém,
certamente liberta essa pessoa do julgamento, mas, se não houver uma verdadeira
mudança, não pode ser estabelecido nenhum relacionamento verdadeiro.” Pra
mim esse foi um achado. Nunca fui das pessoas mais religiosas, e talvez por
isso perdão sempre tenha se relacionado com o desleixo com a dor do
“perdoante”, como se aquele indivíduo tivesse que esquecer o que quer que lhe
tenham feito (e às vezes isso num é pouca coisa), e devesse abrir seu melhor
sorriso, sua casa, sua vida aquele que perdoou. Mas como diz Papai, é a mudança
de atitude que cria um relacionamento, o perdão apenas liberta as partes de um
atado de dor, vingança, ressentimentos.

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